Sonhos Velados: a fotografia como exercício de liberdade

“Ele vem andando com passos firmes. É um senhor vigoroso, não sente o peso das oito décadas de vida. A energia que emana dissipa o frio do começo de noite da primavera carioca. Ao chegar defronte da antiga construção, que começou a ser erguida há 102 anos, é saudado por dez admiradores. Cumprimenta a todos, mas prefere ir direto ao assunto. Flávio Damm, decano do fotojornalismo brasileiro, deseja finalmente conhecer aquilo que o motivou a estar ali em Ipanema: a exposição fotográfica Sonhos Velados, na Casa de Cultura Laura Alvim, em cartaz até 4 de janeiro.

Ciceroneado pelo amigo e curador da mostra, Dante Gastaldoni, Damm usa seu instrumento de trabalho há 64 anos, os “olhos”, e esquadrinha as 150 imagens produzidas por menores em conflitos com a lei, acautelados em unidades do Degase. As fotografias são o produto das oficinas do projeto FotoOlhares, ministradas na Escola João Luiz Alves, que acolhe rapazes, na Ilha do Governador, e no Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Menor (Criam), exclusivo para moças, em Ricardo de Albuquerque.

Devido ao toró diluviano que caiu sobre o Rio de Janeiro e antecedeu a abertura da mostra, em 17 de novembro – apesar do vendável, o público nesse dia foi de 150 a 200 pessoas –, Damm só pôde conferir as 25 imagens em backlight e as demais em slide show e revelar sua opinião sobre o que viu, três dias mais tarde.

“A minha impressão é a melhor possível. Percebo que existe, por parte dessas pessoas, a consciência de exercer uma saída do lugar onde estão confinados através da fotografia”, afirma o ex-repórter fotográfico da revista O Cruzeiro, que faz questão de destacar uma imagem como símbolo da mostra.”

João Paulo Gondim, Fazendo Media / Foto: Exposição Sonhos Velados (divulgação)
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