É a mãe!

"Las putas en el poder porque con los hijos no se fué bien!" (Pichação em muro argentino)

Pilar Fazito, Digestivo Cultural

Se tem uma coisa que eu gosto de observar, analisar e catalogar é o xingamento nas mais diversas línguas. Xingamentos, palavrões e gírias costumam falar muito sobre os hábitos de um povo. No Québec, por exemplo, termos próprios ao catolicismo são usados para xingar. Proferir um "tabernáculo" ou uma "hóstia", quando se bate o dedinho do pé na quina da parede, pode ser mais escandaloso do que profanar o túmulo da mãe. Já o Brasil segue o modelo da maioria dos países ocidentais, em que as palavras mais chulas são aquelas ligadas à genitália masculina e feminina e os xingamentos costumam designar toda a fauna. Até aí, nada de novo. O problema é quando a gente começa a usar o idioma para propagar nossas injustiças sociais sem perceber.

De todas as disciplinas da minha graduação, acho que a mais entediante foi Morfologia. Talvez pelo fato de não me apetecer muito o exercício de dissecar sinais gráficos e analisar justaposições, prefixos e sufixos. Dos quatro meses de aula, só fui me interessar pelo último, quando começamos a listar os sufixos e conjugá-los com o sentido produzido no caso de criações de palavras. Pode parecer chato, mas acaba sendo engraçado perceber, por exemplo, que o "eiro", tão usado para designar profissões, também possa ser um poderoso ingrediente pejorativo. Desse modo, "padeiro", "pedreiro" e "confeiteiro" não se confundem com "fofoqueiro", "baderneiro" ou "mensaleiro".

Ainda assim, no Brasil, as profissões menos valorizadas costumam cair na voz do povo quando o assunto é xingamento. "Palhaço" e "quenga" ― ou "puta" e suas variantes ― ganharam uma conotação tão pesada e vulgar que ofendem qualquer um e reduzem o profissional do riso e a do sexo a uma categoria mais do que desprezível. Não é irônico que uma sociedade conhecida mundialmente pelo riso e pela sexualidade seja capaz de expressar de forma tão agressiva a rejeição de seus próprios valores?”
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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1 comentários:

mariagabrielle disse...

ema,ema,cada um com seu problema...brincadira,realmente é o que bem tem o brasileiro.abraço