Quando não existiam livros de auto-ajuda

Ronaldo Correia de Brito, Terra Magazine

"No tempo em que eu andava de gravador a tiracolo, entrevistando quem passava na minha frente, bati certa noite na casa de um brincante popular. O homem tocava e fabricava os instrumentos de sua banda cabaçal: pífaro, zabumba e caixa. Mesmo se tratando de um músico, naquela noite - era noite - iríamos conversar sobre lobisomens.

Vocês acreditam que duas pessoas conversem seriamente, por horas a fio, sobre lobisomens? Pois nós conversamos. Há algum tempo eu me dedicava a estudar a 'lubisomidade'. Isso mesmo, a psicologia das pessoas que se transformam nesse ser notívago e sofredor, cumprindo um terrível fadário. Desculpem o fadário, mas eu escrevia assim, meio parnasiano.

Francisco Aniceto tinha mais de sessenta anos, discorria sobre várias ciências, embora lesse e escrevesse com dificuldade. Todos o chamavam de 'Mestre'. Conversando com ele compreendi que a sabedoria é um dom, a capacidade de pensar uma virtude, e ambos independem da erudição e da escolaridade. Contos filosóficos do mundo inteiro foram inventados por anônimos.

Sentados em bancos rústicos de madeira e couro, os dois interlocutores se mediam, como os violeiros repentistas antes de começarem um desafio. No arroubo de minha juventude - perdoem o arroubo e o excesso de juventude -, fiz a primeira pergunta.

- Mestre Chico, o senhor já viu lobisomem?
- Ver visível eu nunca vi, não. Mas dizer que existe, existe. Porque tudo o que se diz que existe, é porque existe.
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