O marido da mulher-coisa

Edival Lourenço, Revista Bula

“Tavares passou dos trinta solteirão da silva xavier. Alcançou os quarenta e dos quarenta já ia passando, completamente insensível aos apelos do casamento. Não que fosse gay ou frio, tão pouco auto-suficiente, daqueles que se contentam com os orifícios artificiosos de mão, no sexo artesanal.

Ocorre que Tavares era detentor de uma fobia incontornável em relação à intimidade. Dormir na mesma cama respirando os vapores recíprocos, fazer duetos de tosse e outros sons escrotos, confundir os dejetos no mesmo pinico, escovas se abraçando no mesmo porta-trecos... essas coisas lhe causavam gastura.

Sem contar que pelava de medo de ter que enfrentar um diálogo e isso levasse a parceira ao fatal convite: Bem, vamos discutir a relação?! Não. Tavares jamais cairia numa armadilha dessas. Para suprir sua necessidade de fêmeas, ele as pegava nos bordéis, nos inferninhos, nas baladas. Com o cuidado de não repetir para não travar intimidades. Sexo só com estranhas.

Agora por último andou lendo essas revistas de psicologia vulgar e descobriu que existe um tipo de mulher que lhe despertou grande interesse: a chamada mulher-objeto ou mulher-coisa.

Em suas rotineiras garimpagens de fêmeas descobriu uma baixinha, de nome Leylane, que se enquadrava perfeitamente no que ele imaginava ser o perfil de mulher-coisa.”
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