Veias abertas à democratização da mídia

Marcelo Salles, Fazendo Media

"O livro “A batalha da mídia – governos progressistas e políticas de comunicação na América Latina e outros ensaios” não poderia ter sido publicado em momento mais oportuno. A partir da compreensão do poder que a mídia exerce sobre a vida das pessoas – e também nas políticas de Estado – Denis de Morais traz a comunicação para o centro do debate e escancara a sua urgência, enquanto boa parte da esquerda segue ignorando a centralidade da luta pela democratização dos meios de comunicação.

A mídia, hoje, é a instituição com maior capacidade de forjar consensos, moldar opiniões e reproduzir subjetividades. Isso significa estabelecer formas de pensar e agir das pessoas, das instituições e, consequentemente, do próprio país. Enquanto as outras instituições de controle – família, escola, exército etc. – estão restritas a determinadas áreas de atuação, a mídia atravessa todas elas.

Por isso é dramática a concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucas empresas privadas, como é o caso brasileiro. Um pequeno exemplo disso é citado nas páginas 112 e 113: “Seis empresas de mídia controlam o mercado de TV no Brasil, um mercado que gira mais de U$3 bilhões por ano. A rede Globo detém aproximadamente metade deste mercado, num total de U$ 1,59 bilhão. Estas seis principais empresas de mídia controlam, em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668 veículos midiáticos (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva; a Globo, sozinha, detém 54% da audiência da TV”.

Para além do caso brasileiro, o autor traça um panorama bastante amplo da comunicação na América Latina e indica as diferenças das políticas implementadas pelos principais países da região. O Brasil é um dos países mais atrasados, tanto em termos de concentração quanto ao que diz respeito à legislação para o setor – cujo arcabouço é oriundo da ditadura civil-militar de 1964. Apesar do notório avanço do atual governo em relação ao anterior em diversas áreas, no que tange à comunicação o que se tem são políticas mínimas, geralmente localizadas no Ministério da Cultura, enquanto as diretrizes gerais são determinadas pelo cartel privado que se apossou do Ministério das Comunicações sem encontrar resistência do presidente Lula.”
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