Feridas profundas

“A coluna hoje é variada, tem assunto pra todos os gostos desde a chamada "Cúpula da Cerveja" até uma, embora desejada pelos portugueses, improvável união Portugal/Espanha.

PROFESSOR VERSUS SARGENTO

Pois é, toda aquela controvérsia causada pela prisão do professor negro de Harvard pelo policial branco da cidade de Cambridge, Massachussets, que se desdobrou num debate nacional sobre racismo, acabou (será?) numa rodada de cerveja nos jardins da Casa Branca, presenciada de longe pela mídia.

Exatamente o que conversaram em torno daquela mesa branca não se sabe. O sargento Crowley deu uma coletiva após o encontro e não parecia muito à vontade. Respondeu algumas perguntas dos jornalistas, mas se esquivou de outras, mais delicadas, dizendo que "alguns pontos da conversa eram pessoais".

O presidente quer passar uma borracha nesse episódio que provocou prejuízos à sua imagem. A oposição mais radical não quer deixar morrer o assunto, e acusa Obama de ter ido longe demais ao tomar partido do professor quando chamou de "estúpida" a ação do policial. Seus críticos acham que não é papel de um presidente intrometer-se em assuntos locais de polícia.

Mas a coisa não é bem por aí. Por trás das críticas à atitude do presidente há algo muito mais forte, que é a questão do racismo, um assunto que estava adormecido, mas acordou com toda força depois da escolha de um presidente negro. Obama, que joga bem com as palavras, tentou botar panos quentes, preferindo dizer que "podemos tirar uma lição positiva do episódio". Mas as feridas as vezes são tão profundas que duram para sempre.

ELA VAI PRA CADEIA, OU NÃO VAI ?

Dona Ruth Madoff, 68 anos, mulher de Bernard Madoff, o homem que enganou milhares de investidores no mundo inteiro, deixando um rombo de 50 bilhões de dólares na praça, pode seguir o caminho do marido, que cumpre pena de 150 anos.

O advogado que representa os credores no inventário da empresa de Madoff alega que Ruth trabalhou lá e fez saques altissimos pouco antes do escândalo estourar. Ou seja, ela foi cúmplice nas safadezas do marido.

Na época do julgamento de Bernard ela abriu mão de 57 milhões em ativos que estavam em nome dela e entregou as propriedades do casal em Palm Beach, na Flórida, e Montauk, fora de NY. E perdeu também a cobertura milionária de Manhattan, na tentativa de reduzir a pena do marido.

Ela ainda tem um dinheirinho que gasta nas viagens de avião para ver o marido numa prisão da Carolina do Norte. Mas os passeios de iate no verão e as lojas de marcas na Quinta Avenida ficaram no passado. Ela agora suporta o odor e o calor do metrô de Nova Iorque.
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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