Vamos tocar fogo!

De uma reportagem publicada na Folha de São Paulo, domingo, 30/8.

Marcelo Mirisola, Congresso em Foco

Em uma escola na periferia da zona sul de São Paulo, mais de 2.000 alunos gritam ao mesmo tempo que querem ser dispensados para assistir ao jogo de futebol. Não são atendidos e colocam fogo em carteiras

Qual o espanto? Esses retardados, semi-analfabetos e ignorantes que chutam bolas, são, diuturnamente – a cada milésimo de segundo - tratados como deuses na terra , no ar e no mar. Há muitas, muitas décadas. Basta abrir uma página qualquer na Internet, ir até a banca de revistas, a qualquer hora do dia ou da noite, e eles estarão em todos os compartimentos, becos, esquinas, nas saunas finlandesas e nos grotões mais miseráveis: espetados nos televisores 24 horas ad infinitum, nas padarias e nos bares, nos pontos de táxi e nos shoppings, nos corações dos meus amigos fanáticos e nos intestinos dos meus dedicados inimigos, em todos os lugares, onipresentes, repercutindo imagens belíssimas, golaços, construções literárias geniais mas, sobretudo, repercutindo a idade média modorrenta que virou isso tudo, dando “exemplos de superação”e garantindo o salário de muito picareta de mesa redonda, cobrando escanteios, comendo as loiras e/ou ostentando suas cajafestices como troféus; sendo que, os mais sacanas e os mais bem pagos, ainda cobram dízimos para suas Igrejas e ganham milhões não apenas nos gramados, mas faturam também com a “ boa imagem”, todos eles, os feios e os bonitos, trabalham pouco e se divertem muito;e a Fátima Bernardes, a grande mãezona do Brasil, os trata como se fossem seus filhos, só falta sacar as tetas e dar de mamar, e aí, o que acontece?

Vem um jornal que é obrigado(?) a colaborar ostensivamente com essa mazela (hoje é segunda-feira, ontem teve mais uma rodada do “brasileirão”, vejam quais são as manchetes desse mesmo jornal) e veicula uma reportagem “indignada” dizendo que alunos de uma escola da periferia preferem o futebol às aulas.

Fogo em carteiras? Só isso? Me admiro que os alunos não tenham feito bolas com os escalpos do corpo docente. Qual a queixa? Os alunos – da próxima vez vai ser bem pior... anotem – nem extirparam as vísceras dos professores. Nem lhes quebraram os joelhos. Ora, não houve nenhuma empalação? O que é que esses meninos estão aprendendo na escola?


No colégio de classe média na zona norte, um aluno de 12 anos diz à professora que é ele quem paga o salário dela e que deve fazer tudo o que ele quer (FSP,30/8)

Ué? Não são esses os ensinamentos da Xuxa, a maior educadora do país? Não entendo. Qual a reclamação? Todos sabemos que Sacha, filha da Xuxa – como os alunos desse colégio de classe média da zona norte - foi alfabetizada em dois idiomas, logo tem o duplo direito de exigir o que bem quiser. Inclusive o direito de ser uma mini-analfabeta bilíngüe, arrogante e chiliquenta: igualzinho a santa mamãe. Igualzinho suas amiguinhas.

Onde já se viu não atender as patroazinhas, elas têm que gravar a próxima “sena”. Ora, essas crianças não têm tempo a perder. Será que essa gentalha (professores?) nunca ouviu falar em business? O “Xou” não pode parar!

Agora, pensando bem, o procedimento correto, caso essas professoras rebeldes insistam em não atender as estrelinhas que lhes pagam os salários – altíssimos salários, imagino ... – o ideal mesmo seria processá-las. Aí sim, essa corja entenderia, finalmente, qual é o seu lugar e com quem está se metendo.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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Revista- WMB

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