Você não vale nada, mas eu gosto de você!

Ao usar o mote desta canção para explicar o Brasil, o antropólogo Roberto Da Matta expõe, na verdade, o sentimento da elite que despreza o país e o povo.

José Carlos Ruy, Vermelho.org

É de Nelson Rodrigues a denúncia do “complexo de vira lata”, a auto-avaliação derrotista que condena o Brasil e seu povo a um papel de segundo plano, subalterno e inferiorizado.

Este pensamento, que ocorre muitas vezes “nas melhores famílias”, é freqüente em setores conservadores principalmente quando se trata das mudanças políticas – mesmo ainda limitadas - que o país vive em nossos dias. Um registro notável desta auto-estima rebaixada apareceu na coluna do antropólogo Roberto DaMatta, em O Estado de S. Paulo (26 de agosto), com o título “Você não vale nada, mas eu gosto de você!”

DaMatta é um dos principais antropólogos brasileiros, autor de um notável esforço para entender o Brasil e os brasileiros; nessa linha, escreveu um pequeno livro que se destaca pelo título significativo e instigante: O que faz o brasil, Brasil?

Para ele, a canção popularizada pela novela Caminho das Índias (“você não vale nada mas eu gosto de você”) é a “mais perfeita fórmula para este Brasil que nos irrita, mas enreda e que, por isso mesmo e apesar de tudo, jamais tiramos da cabeça e do coração”.

É uma análise alinhada com outras que sugerem ser o Brasil uma espécie de aleijão histórico-social, resultado da violência, da escravidão, do absolutismo monárquico, da privatização do Estado, e por aí vai.

Este tipo de análise tem vários problemas. Por exemplo, tem em sua base a costumeira comparação com outras nações, mais ricas e desenvolvidas, onde haveria uma plena vigência da “cidadania” que andaria ausente por aqui. É uma visão que, no fundo, se revela como uma versão, contemporânea, da idolatria de modelos “civilizatórios” como os EUA e a Europa, que essa elite almeja e o país, em sua opinião, não alcança.”
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