O mar, de John Banville

“Único destino possível, a morte é o pórtico das almas. Os dias sucedem; os meses avançam; os anos se passam. E a cada passo, com a proximidade, a mente se aprofunda mais nas primeiras alegrias da infância, nos amores assustados da juventude, na calma plácida das tardes de mãos dadas da maturidade. E o olhar evita; e o olhar escapa.

No belíssimo O mar, John Banville encara diretamente o pórtico que lhe assoma - encenação da dor que basta estar vivo para sentir, o romance é um memorial plácido de um passado recriado, e reflexão da solidão de perder um grande amor para o silêncio que se mostra sempre ruído presente nas rugas que invadem o rosto no espelho.

Banville tem sido ao longo da última década o romancista da fantasmagoria - personagens que encenam vidas para, de repente, vê-las mudadas por um acontecimento, seja ele um assassinato como em O Livro das Evidências, seja uma ameaça de denuncia, como em O Intocável, ou num segredo terrível prestes a destruir uma reputação, como no romance Shroud.

No entanto, longe dos homens moralmente dúbios de seus romances recentes, Max Morden não cometeu crimes, nem tomou a vida de outra pessoa, nem fez sua reputação sobre sucessos que não lhes pertencem. Sua fantasmagoria é mais radical, porque O mar é quase um ensaio sobre como a morte, a preemência da morte, transforma espantosamente o ser humano na projeção pálida de si mesmo.”
Vinicius Jatobá, Terra Magazine
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