22 outubro, 2014

A picaretagem de Lindsay Lohan e Naomi Campbell e o apoio de celebridades a políticos

É tóis
DCM

"O apoio de gente famosa a políticos ou causas serve, de maneira geral, como uma via de mão dupla: candidatos podem ter credibilidade, mas não têm fãs ardorosos; celebridades têm fãs ardorosos, mas não credibilidade.

Para os artistas, é uma oportunidade de parecer que eles se importam com algo além de si mesmos. Ajudam também, em tese, a humanizar o político com um toque pop.

Em tese.

Não existe uma pesquisa que ateste que alguém votou por causa do que o cantor ou o ator falaram. Uma pesquisa nos EUA, onde o culto maluco ao celebritismo nasceu e virou um monstro, registrou que menos de 10% dos eleitores foi influenciado pelo apoio de um famoso nas eleições de 2004.

A falta de resultado prático não impede marqueteiros de abusar de depoimentos. Esta campanha ficou marcada por três flops globalizados.

21 outubro, 2014

Muito riso e pouco siso

A exploração de Dante do mundo espiritual mostrado em um exemplar da Divina Comédia, em um afresco de Michelino
"O inferno é infinitamente mais interessante do que o purgatório e o céu. No inferno nos identificamos, lá se encontram nossos vícios, os vícios humanos

Menalton Braff, CartaCapital

Pessoa de minha total confiança foi quem me contou. Uma dessas loiras contratadas por canais de televisão para divertir e instruir o povo brasileiro foi pega cometendo o que mais elas cometem: uma gafe dantesca. São esses os momentos em que mais sentimos a falta do Stanislaw Ponte Preta. Sentimos nós, os que tiveram a ventura de viver numa época em que ele vivia. E escrevia. Seu Festival de Besteiras que Assolam o País, além de fazer as delícias de uma geração inteira, era uma válvula na panela de pressão, que foi a ditadura de 1964, mas não eram besteiras apenas de políticos. Uma de suas frases mais célebres ─ “Televisão é máquina de fazer doido” ─ comprova a abrangência de seu olhar arguto e caberia muito bem neste caso relatado por meu amigo.

A dita loira, interrogada por alguém sobre A divina comédia, de Dante (mas isso também já é crueldade), não teve dúvida e lascou, com a maior cara-de-pau, que tinha rido do início ao fim do livro.  Pobres meninas, obrigadas que são, no fogaréu de programas ao vivo, a fingir o que não são porque não podem decepcionar seu público sempre ávido por heroínas.

20 outubro, 2014

Amor à pátria é o cacete. Eu gosto mesmo é de dinheiro


Eberth Vêncio, Revista Bula

 "É época de eleições no Brasil. Os ânimos e a intolerância estão exaltados, e o país parece muito claramente dividido em duas vertentes políticas que, ao menos nos discursos dos candidatos e nas bravatas das redes sociais, parecem antagônicas. Se bem que, depois que o Homem Sem Dedos e O Caçador de Marajás beijaram-se na boca, nada mais parece tão diferente e inovador como se supunha.

Ciganas honestas, marqueteiros velhacos, Adelaide — minha anã paraguaia — e os institutos de pesquisa e manipulação de massas garantem que, no momento, há um empate técnico entre os dois candidatos a Presidência.

19 outubro, 2014

“Uma negra furiosa”: Quem é Shonda Rhimes, o cérebro mais cobiçado da TV

Shonda Rhimes


Publicado no El Pais.

“Uma mulher negra furiosa”. Assim uma colunista do New Tork Times qualificou Shonda Rhimes, o cérebro mais poderoso atualmente na televisão, esse que está por trás de séries tão populares como Grey’s Anatomy e Scandal. E se há duas coisas que você não pode mencionar para esta showrunner é sua raça ou sexo. Esta mulher oriunda dos subúrbios de Chicago, de 44 anos, não renega nem o fato de ser mulher nem negra. Mas, como diz em entrevista exclusiva a EL PAÍS, “um roteirista é um roteirista e é um roteirista. É isso”.

“As coisas estarão melhores quando deixarmos de fazer essas perguntas. Quando não nos perguntarmos se está melhor a presença de mulheres na televisão ou quantas mulheres negras trabalham no meio”, acrescenta, entre irada e engraçada. O único sonho de Rhimes é que chegue o dia em que aquilo que ela faz não seja a exceção, mas a regra. Porque, como insiste, ninguém descreve Vince Gilligan, responsável por Breaking Bad, como “o melhor homem branco” criador de séries.

18 outubro, 2014

Sobre as provas equivocadas de amor


, DCM

"Sempre desconfiei de amores que precisam ser provados. Porque os amores verdadeiros que conheço estão subentendidos. Nota-se nos olhos, no modo como se pronuncia o nome um do outro, na importância que se dá aos menores detalhes.

Amores genuínos não precisam ser referendados publicamente, porque até um cego pode vê-lo. Os amores verdadeiros dispensam contratos, alianças e status de relacionamento nas redes sociais. Embora, muitas vezes, nada prove que ele está ali, ninguém se atreve a duvidar.

Tenho visto, entretanto, gente que transforma a relação em um verdadeiro inferno em nome desta certeza incompreensível de que amor que é amor precisa ser provado – pra si mesmo e para o mundo. Principalmente para o mundo. Gente viciada em exagero, em protocolos inúteis e em atenção.

17 outubro, 2014

No fundo, nossa única certeza é a de que estamos na dúvida


André J. Gomes, Revista Bula

"Pode reparar. Por mais que tenhamos crescido, por mais que o tempo nos leve longe e os anos passem varrendo lembranças, distorcendo fatos antigos, apagando rostos e imagens como em velhas fotografias, por mais que aprendamos a ser adultos no comando seguro de cada passo, há sempre um medo infantil que nos resta. Sempre um monstro esperando debaixo da cama, desafiando com olhos de fogo e coração pequeno nossa coragem de gente grande. Vistos assim, você e eu e todos aqui somos iguais.

Há uma hora, lá pelas tantas da vida, em que nos tornamos idênticos. Há um tempo em que retornamos à nossa condição original de bichos, trêmulos animais de casa acuados, atraídos pela luz e o calor do fogo no frio caminho solitário em que se transforma a vida de quando em vez. Os monstros continuam ali.

16 outubro, 2014

“A igreja está finalmente abrindo as portas para os gays”


Publicado no Unisinos /

"Elas moram em uma casa como qualquer outra em uma rua como qualquer outra com uma minivan Honda na garagem e abóboras, fantasmas e cabeças de esqueleto que enfeitam o pequeno jardim da frente em preparação para o Halloween [dia das bruxas]. Fini, 11 anos, foi, ontem, à loja de fantasias e voltou com um traje de bailarina zumbi e batom preto. Emily, 12 anos, comprou uma fantasia de índia norte-americana. Agora, está tudo preparado para a festa do dia das bruxas. Poucos minutos antes das 6 da tarde, a mãe Becky chega em casa com caixas de pizza do Pizza Hut e elas comem antes de começar uma noite agitada de lições de casa, limpeza, chuveiro e de preparações para ir dormir cedo.

Nada de anormal aqui. Apenas uma típica família americana em uma típica noite durante o ano letivo nos Estados Unidos, com exceção disso: Becky é casada com Marianne. Fini e Emily têm duas mães.

A mãe Marianne é, na verdade, Marianne Duddy-Burke, diretora executiva nacional da Dignity USA, uma organização que existe há 41 anos, e que trabalha pela mudança nos ensinamentos da Igreja Católica sobre gays e lésbicas.

15 outubro, 2014

Da arriscada e deliciosa arte de provocar um cretino


André J. Gomes, Revista Bula

"Um dia, desses dias definitivos na vida de toda gente, um homem ordinário olhou para os lados e se viu cercado de idiotas. Era isso. Estavam explicados a sua insônia, sua falta de apetite, sua impotência sexual, sua raiva do mundo, sua apatia no trabalho. Ele acabara de descobrir a causa de suas mazelas. O mundo lhe fazia mal porque estava povoado de imbecis. Pronto. Essa era a sua doença, ele estava diagnosticado! Agora só faltava iniciar um tratamento radical: daquele dia em diante, o homem dedicou seu tempo a catalogar e punir os patetas que encontrasse vida afora.

Começou com os estúpidos da empresa em que trabalhava, os arrogantes que supervalorizam assuntos mínimos em reuniões intermináveis para mostrar eficiência e esconder sua escandalosa barbeiragem. Seu ataque era simples e impecável: antes de uma reunião, ele consumia toda sorte de alimentos que lhe provocassem gases intestinais. Leite, paçoca, empadinha, café melado, canjica e abacate, muito abacate.

14 outubro, 2014

Jovem americana com câncer terminal decide morrer em 1º de novembro

Aos 29 anos, a americana Brittany Maynard descobriu dar fim à própria vida após descobrir câncer cerebral
"Uma jovem americana de 29 anos com câncer em estado terminal anunciou que dará fim à sua vida em 1º de novembro.

BBC Brasil 

Durante um ano, Brittany Maynard sofreu fortes dores de cabeça, até ouvir dos médicos, em janeiro passado, que tinha câncer no cérebro.

Apesar de ter recebido tratamento durante meses, sua saúde continua a piorar. Por isso, ela decidiu seguir um caminho diferente.

"Depois de meses de pesquisas, minha família e eu chegamos a uma conclusão dolorosa: não existe um tratamento que possa salvar minha vida, e os tratamentos que me foram recomendados destruiriam o tempo que me resta", ela disse em um artigo que escreveu para o site da emissora CNN.

Maynard disse que, conforme seu câncer for piorando, ela pode vir a sentir dores terríveis, que mesmo medicamentos mais fortes talvez não sejam capazes de aliviar.

13 outubro, 2014

De David Fincher (“Garota Exemplar”) a Coppola e Chaplin: por que grandes diretores são tiranos?

Fincher com Rosamund Pike, de “Gone Girl”
Da BBC Brasil

"O novo filme do cineasta David Fincher – “Garota Exemplar” – é uma saga sombria sobre manipulação, crueldade e loucura. Essa descrição é sobre os temas abordados no filme, mas pode servir também para retratar o processo de criação do longa metragem.

Fincher é conhecido por ser perfeccionista, e gosta de filmar a mesma sequência dezenas de vezes – levando todos do elenco da produção ao limite da exaustão.

Em “Clube da Luta”, ele teria feito todo mundo trabalhar a noite toda – apenas para conseguir um “take” certo… de uma barra de sabonete. Em “Zodíaco”, ele insistiu em 90 “takes” da mesma cena.

Robert Downey Jr descreve Fincher como um “disciplinador”. Jake Gyllenhaal teria ficado aos prantos no final do trabalho.

12 outubro, 2014

Demorou, mas chegou: meu primeiro dia sem água em São Paulo


, DCM

'Moro no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, caminho de Joanópolis, onde fica o sistema Cantareira, atualmente usando volume morto, com cerca de 6% de sua capacidade. Desde ontem, cinco dias depois da reeleição de Geraldo Alckmin, eu não posso mais tomar banho à noite em minha casa.
Acabou a água.

Minha história não é novidade para muitos paulistanos. O ex-candidato ao governo de São Paulo pelo PSOL, Gilberto Maringoni, participou do último debate dos presidenciáveis na TV Globo do Rio de Janeiro.

Cansado após a viagem de retorno, Maringoni disse que chegou até sua casa e as torneiras não estavam mais funcionando. Relatou tudo através das redes sociais.