05 julho, 2015

Não existe morte mais gloriosa do que a morte por amor

Olivia Hussey como Julieta, em 1968
Fabio Hernandez, DCM

"Na minha lista das coisas boas da vida os heróis relutantes do escritor inglês Graham Greene têm presença garantida. Mas meu objetivo, neste artigo, não é falar de literatura. É, sim, escrever sobre morrer de amor. Mais adiante vocês entenderão por que comecei com Greene.

ADVERTISEMENT
E então sou obrigado a mais um de meus intermináveis parênteses. Li há tempos, numa revista inglesa, que tinha sido lançada mais uma biografia do grande poeta russo Pushkin. Pushkin, que praticamente inventou a literatura, morreu de amor. De amor por Natasha, sua mulher. Natasha era conhecida como a mais bela mulher de São Petersburgo. Na minha imaginação desinformada, vejo-a como uma morena de pele clara como o teclado de um piano e olhos com o brilho hipnotizador de um par de diamantes.

03 julho, 2015

Como tirar proveito de seus inimigos segundo Plutarco

Por incrível que pareça, há maneiras saudáveis de lidar com nossos inimigos
Paulo Nogueira, DCM

Plutarco (66 – 120), grego de Queronéia, é objeto de admiração como grande biógrafo. Ele escreveu Vidas Paralelas, um clássico no qual comparou personalidades similares da Grécia e de Roma; os generais César e Alexandre e os oradores Cícero e Demóstenes, para citar dois exemplos. Sabe-se que o dramaturgo Shakespeare se inspirou na obra de Plutarco para compor alguns de seus dramas históricos. E que o ensaísta Montaigne utilizou as histórias narradas por Plutarco para fazer a maior parte de suas reflexões filosóficas.

ADVERTISEMENT
Mas Plutarco foi mais que um biógrafo. Ele sofreu a influência da escola estóica, fundada pelo grego Zenão, caracterizada sobretudo pela consideração do problema moral, em que o equilíbrio deveria ser o ideal do sábio. Escreveu belos tratados de conduta moral que ainda hoje podem ser lidos. Alguns podem ser facilmente encontrados no Brasil. A editora Martins Fontes juntou dois deles num só volume de pouco mais de 120 páginas, numa edição caprichada. Ambos são atuais, como toda obra filosófica de primeira categoria. Um deles mostra como distinguir bajuladores e amigos. O outro fala como se deve lidar, da melhor forma possível, com os inimigos. O título dado pela editora, baseado neste último, é irresistível: Como Tirar Proveito de Seus Inimigos.

02 julho, 2015

Estar sozinha não faz de você uma pessoa solitária. A pior solidão é não encontrar a si mesmo


Karen Curi, Revista Bula

"Você sai de casa para fugir da solidão. A própria companhia começa a te incomodar. Não tem posição, o ar ficar denso, nada agrada. Já conhece todos os seus pensamentos e os monólogos já não trazem novas ideias. Você se cansa das suas manias e das suas preguiças. Por isso compensa com andanças desnorteadas e atividades inúteis. Se você não tomar uma atitude, neste exato momento, será engolida pelo sofá, e cuspida, quem sabe, só no dia seguinte. Se ficar aqui, ao amanhecer estará mais cansada, mais desmotivada e, inevitavelmente, se sentindo ainda mais sozinha. Está decido. Você vai para a rua porque não suporta estar só.

Parece uma refém que acabou de sair do cativeiro. Ao fechar a porta já esboça um sorriso. Agora a única preocupação é saber para onde ir, com quem encontrar, o que fazer. Na verdade, nada disso importa, porque você só quer mesmo ser uma pessoa livre. Livre para escolher, livre para mudar a direção, para trocar de opinião, livre para fazer o que quiser e do seu jeito. Livre, inclusive, para não fazer nada. Mas aí está o grande equívoco e você tem plena consciência dele. Sempre sente a liberdade como coisa que chega de fora, mesmo que tenha certeza absoluta de que ela vem é de dentro. Tudo bem, talvez você queira sentir a leveza da liberdade superficial. Que seja. Pelo menos hoje, a tua casa, era a tua prisão. Você precisava sair.

30 junho, 2015

Aceitar os fatos é um passo essencial para a serenidade

“Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz”
Paulo Nogueira, DCM

Epicteto, nascido escravo e só liberto depois de adulto, foi uma das vozes mais influentes da filosofia da Antiguidade. Ele viveu nos primórdios da Era Cristã, de 40 a 125. Não escreveu um único livro. Seu pensamento é conhecido graças a um discípulo, o historiador Arriamo. Ele teve o cuidado de anotar as ideias de seu mestre, uma ação pela qual a humanidade lhe será eternamente grata, e depois transformá-las em dois livros, Entretenimentos e Manual. Seu tamanho intelectual é tal que o imperador-filósofo Marco Aurélio, o último grande comandante do Império Romano, escreveu que um dos acontecimentos capitais de sua vida foi ter tido acesso às obras de Epicteto.

28 junho, 2015

Amou, não foi amada e se danou

E não foram felizes para sempre
Fabio Hernandez, DCM

"Não é o que parece. Não foram felizes para sempre, não era um casal mostrando ao mundo o fruto adormecido de seu amor.
ADVERTISEMENT
Nada.

Mas é um retrato que vale uma reflexão. É o príncipe Charles, como vocês devem ter notado. A mulher, a mãe do bebê, é Dale ‘Kanga’ Tryon. Era uma herdeira australiana que ingressou no círculo real britânico.
Amou, não foi amada e se danou.

Seu drama poderia ser simplificado assim.

26 junho, 2015

No amor, é melhor um fim horroroso que um horror sem fim


André J. Gomes, Revista Bula

"De todas as máximas sobre o amor, a que mais me fala e mais me cala é esta. “Melhor um fim horroroso que um horror sem fim”. Tudo bem, compreendo se você prefere aquele outro chavão: “amor de verdade não acaba, se acabou é porque não era amor”. Respeito, mas sigo achando que lá pelas tantas, vira e mexe, o amor pode acabar, sim. Fazer o quê?

Certo é que ninguém em pleno gozo de suas faculdades amorosas embarca numa história de amor já pensando em pular fora no primeiro solavanco. A gente tenta, mas de quando em vez acontece de a locomotiva enguiçar, do barco furar, do avião cair. De vez em quando acaba mesmo. E quando acaba, é melhor que acabe logo, de uma vez, no susto. No pulo, da noite pro dia, num piscar de olhos, na volta da feira, como a sacola que rasga no fundo e espalha tomates e laranjas, limões e mexericas na descida. Sem volta.

23 junho, 2015

Os 10 livros mais engraçados da literatura brasileira


Edson Aran, Revista Bula

"Edvan, um dos três leitores desse “Coisas pra Ler”, me escreve e pergunta: a coluna na Bula acabou? Não, não acabou. É que sou um colaborador relapso e o Carlos Willian Leite é muito elegante pra me cobrar. Mas, olha, hoje não vou falar de livros novos. Como todo mundo gosta de listas e ninguém leva humor a sério (thanks god), preferi resenhar os livros mais engraçados da literatura brasileira. É uma lista pessoal e não tem ordem. Os 10 estão emparelhados. Não incluí nenhum dos meus — “A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos”, “Delacroix Escapa das Chamas” etc. Mas incluiria se ninguém me acusasse de legislar em causa própria. Injustamente, claro.

Garotos da Fuzarca (Ivan Lessa)

Ivan Lessa foi um dos maiores escritores da língua portuguesa. Sim, pode dizer que exagero. Mas o malabarismo das palavras e o domínio de todas as formas de humor — da ironia fina ao besteirol mais cretino — faz dele um mestre da sátira. Este “Garotos da Fuzarca” reúne textos publicados no “Pasquim” (79 a 83) e na “Status” (82 e 83). A seleção é do Digo Mainardi (falo mais dele aí em baixo).

Tem várias pequenas obras primas neste livro. O melhor é o trecho de “Os Diários de Londres”, coluna que Ivan dividia com seu heterônimo Edélsio Tavares no “Pasquim”. Brasileiro exilado, Edélsio vive com o paquistanês viado (perdão, “homossexual”) Doce Sulfa, a irlandesa drogada Jovem Pat e o cafetão congolês Negro Ken. Os diários fazem você engasgar de tanto rir. No dia em que eu for nomeado Supremo Editor da Nação, publico “Os Diários de Londres” na íntegra (neste livro, o trecho é mínimo) com novas ilustrações de Reinaldo Figueiredo.
 Até lá, vá (re) ler “Garotos da Fuzarca” que você vai ver o que é bom.

22 junho, 2015

Jovem niteroiense faz sucesso no YouTube quebrando tabus sobre corpo feminino

Não tira o batom vermelho parece nome de tutorial de blog feminino. Mas a youtuber Jout Jout, de 24 anos, aparece em frente à câmera sem maquiagem e sem roteiro, falando sobre relacionamentos abusivos e - contrariando Tom Jobim - dizendo que "não é impossível ser feliz sozinho".

 Da BBC

Em outro vídeo, ela explica como usar um "coletor menstrual" - um copinho que substitui o absorvente. Também já apareceu dizendo que as mulheres não precisam ter vergonha de soltar 'pum vaginal' ou fazer cocô quando o namorado está no quarto ao lado, e que masturbação "é coisa de mulher do bem".

"Destabulizar" (tirar o tabu de) é palavra-chave no vocabulário de Jout Jout, como é conhecida a niteroiense Julia Tolezano. Seu canal no YouTube, com vídeo feitos de forma engraçada e direta, já tem mais de 150 mil inscritos.

21 junho, 2015

Não existe Botox para o vazio existencial


Karen Curi, Revista Bula

Não somos nada nem ninguém sem consumir. Você já parou para pensar nisso? Vivemos numa sociedade de consumo, disso todos nós sabemos. Acontece que a nossa ânsia por obtenção palpável se estendeu até os desejos mais íntimos. Não adquirimos por ímpeto apenas roupas, sapatos, objetos. Nós consumimos sentimento, gente, sexo, prazeres, tempo. Tudo. Parece que sem consumo não existe vida. Nem bem estar. Nem alegria. Nem amor. Nem nada.

As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com elas mesmas e com o mundo. Querem preencher a qualquer custo os seus buracos. Consomem tudo e todos ao mesmo tempo, na ânsia desesperada de abarrotar os espaços vazios que levam por dentro. Começam se enchendo de coisas, mas logo o tangível passa a não bastar. Então, encontram nos outros a possibilidade da sensação de plenitude, de prazer e satisfação. É uma perseguição efêmera atrás da saciedade.

19 junho, 2015

O “racismo convicto” do jovem que matou nove numa igreja da Carolina do Sul

Dylann Roof
Publicado na DW

"Dylann Storm Roof, o homem de 21 anos que é o principal acusado de cometer um crime motivado por ódio numa igreja da comunidade negra na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, foi descrito pelo amigo que repassou seu nome às autoridades, nesta quinta-feira (18/06), como um racista convicto que acreditava na supremacia dos brancos.

Roof é o principal suspeito do assassinato de nove pessoas negras que estavam participando de um grupo de oração na noite de quarta-feira. Entre as vítimas está o pastor Clementa Pinckney, uma figura importante da comunidade negra local e representante democrata no Senado da Carolina do Sul.

18 junho, 2015

Breve ensaio sobre a miopia amorosa


Fabio Hernandez, DCM

"Meu tio Fabio, um homem sábio do interior, certa vez me disse o seguinte: “Mantenha distância de mulheres que usem muito as palavras eu, meu e minha. Prefira as que falem nós, nosso e nossa.”

ADVERTISEMENT
Algumas vezes não segui os conselhos de tio Fábio, Deus o tenha. E em todas me dei mal. Topei com mulheres egocêntricas, para as quais poucas coisas, se é que alguma, importavam além delas mesmas.

A boa relação amorosa só é boa porque os dois pensam menos em seus interesses pessoais e mais nos interesses de ambos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Veja!

Postagens Populares