02 setembro, 2015

Fomos proibidos de te amar, São Paulo

O recém-inaugurado Mirante 9 de Julho, atrás do Masp, na avenida Paulista
"São Paulo é uma cidade no futuro: pós-apocalíptica, radioativa, seca, onde um dia dinheiro e trabalho não serão os únicos imperativos da vida social 

Facundo Guerra, CartaCapital

Herdamos o mito dos bandeirantes, e vocês transformaram Borba Gato, esse genocida, em fundador de nossa identidade. De legado temos esta metástase em forma de desenvolvimentismo estéril, estas milhões de toneladas de concreto que hoje tentamos adornar para deixá-las suportáveis, mas que seria melhor não existissem.

Nos confinaram em bolhas de metal, em bolhas de concreto, em bolhas de vidro, como se fôssemos gado que tem por ração plástico. Disseram na nossa cara que praia de paulistano é shopping, que Cumbica é o melhor lugar de nossa cidade, que plano de aposentadoria é pousada na Bahia. Que aqui não se cria filho, que essa terra só serve para ganhar dinheiro, como uma versão apocalíptica de Serra Pelada.

01 setembro, 2015

33 razões para sobreviver ao fim de um amor


Karen Curi, Revista Bula

"Seu mundo caiu. Você já não sabe mais a ordem da vida, por onde começar ou recomeçar a existir. Fique calmo e respire fundo. Essa é uma lista pensada em te ajudar a entender e sobreviver ao fim de um relacionamento. Você encontrará alguns porquês e outras tantas razões para seguir adiante. No fim das contas, o importante é seguir. A lista e em frente.

1 — Você não nasceu grudado em ninguém, portanto, não tem porque deixar de existir como indivíduo. Lembre-se; nascemos sós, morremos sós.

2 — A vida não se resume em um único ser. Viver é um exercício e um dever voltado para si. O foco deve ser sempre em você, depois, no outro.

3 — Um amor não pode ser maior que o seu amor próprio. Voltamos ao velho ditado: se você não se amar, ninguém vai te amar. Simples assim. E funciona mesmo.

31 agosto, 2015

Manifesto pelo direito de não ter opinião


Lara Brenner, Revista Bula

"Com o heterônimo de Alberto Caeiro, Fernando Pessoa dizia haver “metafísica bastante em não pensar em nada”. O poeta disseminou incansavelmente a adoração da coisa pela coisa, dedicando especial atenção à contemplação da natureza em sua forma mais pura, desnuda de qualquer juízo de valor: “Creio no mundo como num malmequer, porque o vejo. Mas não penso nele porque pensar é não compreender… O mundo não se fez para pensarmos nele (pensar é estar doente dos olhos), mas para olharmos para ele e estarmos de acordo”.

Vivesse Caeiro hoje, provavelmente enfartaria de desgosto ao ver completamente minado seu direito de não ter opinião. A quantidade esmagadora de informações e a facilidade de sua propagação têm produzido uma espécie de doença que arrisco chamar de opiniite aguda. Especialmente na internet, tornou-se imperativo ter não apenas um palpite, mas um compilado opinativo sobre toda e qualquer matéria, desde a política na República Democrática do Congo, passando pela Teoria das Cordas, até a vida e obra de todos os compositores e autores clássicos da História da Humanidade.
Tudo. É preciso ter opinião sobre tudo, sob pena de ser considerado um grande ignorante, sem personalidade.

27 agosto, 2015

Como interpretar sonhos sem cair no ridículo


Eberth Vêncio, Revista Bula

"Enquanto eu dormia, minh’alma saiu pra dar um rolezinho e nunca mais voltou.
Papai não gostou nada da brincadeira. Sou espirituoso. Ele é espiritualista. Às vezes me chama de espírito-de-porco. Ele cria e crê piamente que as almas dão sim os seus passeios enquanto estamos dormindo. Ninguém enxerga, mas lá estão elas, a rosetar pelo limbo. Por que motivo elas não permanecem ali, nem eu, nem ele saberíamos dizer. Eu, se fosse uma alma com hábitos noturnos, pessoalmente, ainda que pequena, ainda que valesse a pena, não voltaria para o meu corpo nem às custas de um despertador gritando na escrivaninha.

Enquanto a multidão passava bradando a reivindicar que o presidente do país pegasse descendo, eu e papai derrubávamos, não o governo eleito pela maioria do povo, mas sim, uma gelada matilha de garrafas de cerveja e uma sacola recheada de medicamentos — meu velho tem quase oitenta, e muita vontade de voltar aos trinta. A pedido dele e do psiquiatra — “Por favor, evite as contrariedades” — adentramos na irrelevante seara da interpretação dos sonhos, o tema mais fútil que encontramos naquela ensolarada tarde de domingo.

26 agosto, 2015

21 perfis do instagram para apaixonados por livros


Ricardo Silva, Revista Bula

Rede social oficial de fotos feias de comida, de legendas de motivação com frases de Augusto Cury para qualquer ida à academia, e também de fotos de biquini na praia acompanhadas de grandes lições de vida, ou ainda de gatos, cachorros e crianças, o Instagram tem lugar para todo mundo. Inclusive aqueles que parecem não ter muitos lugares por aí: os leitores. Por isso, criei um pequeno guia de perfis que são essenciais para leitores que se levam a sério.

Como toda boa lista, essa aqui não é definitiva e leva em consideração o elemento básico de um bom perfil no instagram: boas imagens de bons conteúdos. Ou seja, nada de foto feia de livro ruim (“ah, mas não existem livros ruins, toda leitura vale a pena!” Olha, prometo pra vocês que tiro um texto inteiro só pra “provar” que isso é balela, mas não vai ser nesse, tudo bem?

24 agosto, 2015

O misterioso mundo secreto das mulheres solteiras


Rebeca Bedone, Revista Bula

"Era uma vez uma mulher que desde menina tinha um plano: estudar, se formar, casar e ter filhos; parecia tudo tão natural, e do jeitinho que haviam lhe ensinado que seria. Mas, depois de tanto tempo e tantas coisas que aconteceram — e outras que não aconteceram —, seus sonhos mudaram, assim como ela mudou. E quando ela menos esperava, em meio a tantos tropeços e dúvidas e receios, ela descobriu como é maravilhoso não fazer tantos planos.

É que às vezes a vida fica confusa. As emoções andam em zigue-zague da clareza da alma ao ponto mais negro da sombra do coração. Porque somos seres de sentimentos opostos, ao mesmo tempo em que queremos algo, temos medo. Dizemos ‘não’ querendo dizer ‘sim’. E quando não queremos tal coisa, às vezes, somos obrigados a fazê-la.

23 agosto, 2015

A corajosa bordoada de uma jornalista da TV alemã no discurso de ódio da direita


Kiko Nogueira, DCM

"A âncora Anja Reschke brilhou, como se falava antigamente numa firma onde meu amigo Sérgio Rabino trabalhou durante 45 anos.

Num comentário no telejornal no qual trabalha, ela usou alguns minutos para criticar de maneira veemente a guerra verbal contra os refugiados na Alemanha.

Sem levantar uma sobrancelha, sem erguer a voz — e me vem à mente o histrionismo ventríloquo de Marco Antonio Villa —, ela detona a xenofobia e a reação tímida a ela.

Para além da questão dramática da imigração, porém, Anja enquadra os covardes que disseminam o discurso de ódio, bem como o argumento falacioso de que tudo é permitido porque são apenas palavras.

20 agosto, 2015

O pensamento binário é uma característica dos idiotas


"Você é daqueles que acham que criticar a polícia é defender bandido? O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo

Leonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu.

Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo. Se você acha que isso é impossível, sem problema: eles te dão uma mãozinha, taxando você.

19 agosto, 2015

Amor não é para qualquer um. É preciso disposição para ser ridículo e uma boa dose de sandice


Lara Brenner, Revista Bula

"Um dia, você se pega ali, ouvindo a previsível batida daquele coração, e a certeza do amor vem como uma bigorna gentil. Vocês, que fizeram pactos silenciosos e promessas não ditas, na mais pura e singela devoção, agora estão deliciosamente presos pela liberdade que decidiram compartilhar. Existe uma nudez serena entre vocês, transcendendo a pele ansiosa e alcançando a alma faminta, numa dança singular.

Há dias em que nem terno preto ao som de Marcha Fúnebre disfarça o brilho de uma grande descoberta. Dias em que dançar pelado, sem quê nem porquê e ao som do silêncio, faz tanto sentido quanto se cobrir do frio ou lavar o rosto cansado. Descobrir o amor é assim. Ele começa apaixonado, estabanado, procurando a medida exata daquilo que ainda não conhece bem. Confunde a mente, chora inseguro, faz alvoroço, como uma criança birrenta, e, num pávido anúncio publicitário, berra “cheguei, querido, agora não tem pra ninguém”.

17 agosto, 2015

Toda vez que deixamos de sonhar é como se deixássemos de existir


Rebeca Bedone, Revista Bula

"Algumas pessoas afirmam que amor não passa, nunca acaba. E, se acontecer de o ser amado partir, quem fica, por pensar assim, passa a acreditar que aquele amor não era de verdade.

Acontece que não existe verdade absoluta. O que existe é o que cada um sente, e a experiência de vida de cada um. Há aqueles que sentem amor quantas vezes a felicidade bater à sua porta. A paixão, que para uns é uma emoção passageira, para outros é sentimento sincero e profundo pelo tempo que durar.

Como também há aquelas pessoas que passam uma vida inteira sem amar, ou porque não tiveram sorte, ou porque deixaram a sorte passar.

16 agosto, 2015

O que define um relacionamento é o beijo, muito mais que o sexo

O Beijo, de Klimt
Fabio Hernandez, DCM

"Tenho, no meu quarto, uma reprodução de um quadro de Klimt chamado O Beijo. Está bem em frente da minha cama. Gosto de acordar com aquela imagem estranhamente grandiosa ao alcance de meus olhos míopes de escritor barato. Os pés descalços da moça, o porte majestoso do homem, as pequenas e coloridas flores do campo.

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Beijo. Não existe nada mais íntimo, nada que aproxime mais duas pessoas do que um beijo. Nem o sexo. Uma vez, na adolescência, ouvi uma frase que me intrigou. Tio Fabio, um homem sábio do interior, disse com sua voz estentórea de Fred Flintstone numa roda de homens: “Mil cópulas não valem um grande beijo”. Eu sequer sabia então, nem na teorioa e muito menos na prática, o que era cópula. Depois, a vida me mostraria que, mais uma vez, Tio Fabio estava certo.
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