19 junho, 2013

'Estamos diante de uma esfinge', diz historiador sobre manifestações


'É como se estivessem dizendo: existe um mundo velho, no qual não nos encaixamos', diz filósofo
Intelectuais tentam compreender movimento que despreza a mediação política e tem rumo imprevisível

Eduardo Maretti,RBA

‘O movimento que toma as ruas de todo o país ainda não pode ser definido por parâmetros científicos, sociológicos e políticos definitivos. “Estamos diante de uma esfinge. O movimento pode tomar qualquer rumo”, diz, por exemplo, Lincoln Secco, professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.  “É um movimento de grande apelo de juventude, no qual há uma linha divisória muito forte. É como se estivessem dizendo: ‘existe um mundo velho, no qual não nos encaixamos, não nos sentimos respirando dentro dele’. Isso até explica a vagueza do movimento e o fato de que se pode ir desde reivindicações típicas de movimentos sociais, como a inicial, a revogação de aumento do ônibus, até questões mais entrópicas, como uma mudança no perfil da cidade”, acrescenta o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da USP.

18 junho, 2013

Caminhando e seguindo a canção


Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

Não quero entrar no mérito da validade da reivindicação dos jovens nas ruas de São Paulo e do Rio (principalmente), envolvendo o preço das passagens dos ônibus e a qualidade do nosso sistema de transporte popular,  e propiciando, de quebra,   um interessantíssimo debate sobre a relação entre o lucro capitalista e os serviços de interesse público. O dado mais relevante nesses episódios , cá para nós, é que os jovens foram para as ruas, revivendo, simbolicamente, ainda que em doses pequenas,  momentos significativos da história da participação política no país.

É obvio que a espontaneidade da maioria dos participantes, que se foram convocando através da internet, aliada, possivelmente, a uma certa infiltração não desejada, trouxe para a manifestação alguns episódios que não podem ser aplaudidos, inteiramente desvinculados do foco das reivindicações. Mas esse é o ônus que tem que pagar a inexperiência de um movimento ainda sem organização, feito por uma geração que ainda não tinha participado ativamente de atos políticos de ocupação das ruas. 

17 junho, 2013

A gente morre todos os dias. Mas se esquece e levanta



“Se tem algo que desperta muita ira em nós é o descontrole sobre a hora da nossa morte. E sobre o momento da nossa concepção e nascimento. Sentimo-nos, paradoxalmente, cada vez mais empoderados, tendo como cúmplices as sucessivas invenções das novas tecnologias. O domínio sobre o universo, objetos coisas e pessoas. A era glass, a era touch e a era do controle (a última apontando a implacável vigilância da internet sobre nossa minuciosa intimidade) convivem na atualidade, aparentemente de mãos dadas. Fato é que simulando nosso império volitivo e ditatorial sobre joysticks materiais e virtuais sentimo-nos firmes comandantes de navios nas ondas da web e da vida.

A gente morre quando acorda. Morre de tédio, de preguiça, morre de mesmice, ou não, como apregoaria Caetano Veloso, com aquela voz de fruta sumarenta e lenta degustada em algum recanto nordestino. Tem pessoas que já morreram faz tempo. E nunca desconfiaram disso. Morrem de medo de encarar o medo, de colocar a coragem debaixo de um braço e o medo apoiado no outro braço e prosseguir caminhando, como ressaltaria Brecht.

16 junho, 2013

A costura da memória

Em um dos livros, conta-se a história de José Xavier Cortez, que, expulso da Marinha por ter participado da rebelião, mudou-se para São Paulo e começou a trabalhar e morar em um estacionamento perto da PUC. De lavador de carros a estudante bolsista naquela universidade, foi uma questão de tempo. Anos mais tarde, Cortez lançaria uma editora que leva seu sobrenome

No momento em que a Comissão da Verdade completa um ano, o Arquivo Nacional lança três livros que tratam do período da ditadura

Xandra Stefane, RBA / Revista do Brasil

Só a memória costura tudo.” A frase, de Caio Fernando Abreu, nos desperta para a dimensão da memória. Esta nos dá sentido, enquanto indivíduos e enquanto grupo. Costura o que fomos, o que somos, o espaço e o tempo em que vivemos. Através dela nos reconhecemos, nos reinventamos; é a referência que nos permite enxergar e interpretar o que nos rodeia. Enquanto elemento significativo da teia social, a memória é também espaço de conflitos: desperta divergências, paixões, controvérsias, sentimentos e ressentimentos. Traz à tona lembranças, desencobre dores, expõe o que muitos prefeririam deixar na escuridão... É matéria-prima para pensar a história – a nossa e a do mundo.

O período acima abre um dos capítulos do livro O Terror Renegado, de Alessandra Gasparotto, e sintetiza o intuito de outras duas obras também lançadas pelo Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional. O projeto é um concurso bianual de monografias que publica trabalhos com base em fontes documentais referentes ao regime autoritário no Brasil. A memória que os três livros trazem à luz são fatos de um período sombrio que ainda tem muito a ser revelado, como mostram os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que completou um ano em 16 de maio.

14 junho, 2013

Jornalista afirma que Hitler morou e morreu na Argentina


 
“O livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, sustenta que o líder nazista e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina, onde morreu, nos anos 60. Dezenas de livros mais equilibrados sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética. Basti afirma, sem apresentar documentação confiável, que a informação não é verdadeira e que os nazistas, como Hitler, o chefe da Gestapo, Heinrich Müller, e Martin Bormann plantaram pistas falsas. Entrevistado pelo jornal “ABC”, da Espanha, sustenta que “existem três documentos” que comprovam que o nazista não se matou: “Do serviço secreto alemão, que dá conta de que chegou a Barcelona, procedente de um voo da Áustria; do FBI, que indica que ‘o exército dos Estados Unidos está gastando a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha’; e um terceiro do serviço secreto inglês, que fala de um comboio de submarinos com líderes nazistas e ouro saindo rumo a Argentina, fazendo uma escala nas Ilhas Canárias”.

O livro, publicado em maio deste ano (sem edição brasileira), provoca sensação na Espanha, pelas revelações “surpreendentes” e, no geral, contestadas por historiadores profissionais. Mas as informações de Basti não deixam de ser curiosas, principalmente por ser correta mas óbvia a informação de que vários nazistas escaparam para a Argentina de Juan Domingo Perón.

Um jesuíta nonagenário é apresentado por Basti como uma de suas mais importantes fontes. Ele dispõe de muitas informações sobre a presença de Hitler na Espanha, segundo o jornalista. No livro, porém, não revela nada de sensacional.

Um documento secreto alemão aponta Hitler como passageiro de um avião que se dirigia da Áustria para a Espanha, em 26 de abril ou nas primeiras horas de 27 de abril de 1945. “Foi uma comunicação oficial secreta com cópias para o piloto Werner Baumbach, que imigrou para a Argentina e levou consigo uma cópia. Baumbach, junto a outros conhecidos pilotos nazistas, trabalhou no projeto aeronáutico de Perón.”
Artigo Completo, ::AQUI::

13 junho, 2013

Nem com Tiro aprendemos a lição


Edival Lourenço, Revista Bula
 
“Três mil anos depois e o Brasil não aprendeu a lição. Há várias passagens do Velho Testamento que dão conta de um rei longevo chamado Hiram, que governou Tiro, na antiga Fenícia (hoje no Líbano) por 34 anos. Seu governo (969-935 a.c) coincidiu parte com Davi e parte com Salomão, reis de Israel, o grande Império da época.

No início do reinado, o rei Hiram, juntamente com seus técnicos, fez um estudo minucioso das potencialidades do pequeno reino. Depois de levantamentos e discussões acaloradas, chegou à conclusão de que seu país tinha pelo menos duas potencialidades que poderiam fazer diferença: suas matas de cedros (que vieram a ser mais tarde os decantados cedros do Líbano) e sua facilidade de navegação, já que seu terreno tinha características insulares.

12 junho, 2013

Gabriel Kwak reúne em livro obras que inspiraram 65 intelectuais do Brasil


Os Livros de Cabeceira:
65 intelectuais do Brasil
e seus livros preferidos.

Intelectuais de respeito escolheram, em depoimento ao autor, seus cinco livros mais adorados. Leituras que tenham dado a eles prazer e que tenham estimado e formado sua iniciação cultural.

Redação, CartaCapital

O jornalista e escritor Gabriel Kwak, diretor da União Brasileira de Escritores (SP), convida para o lançamento do seu novo livro Os Livros de Cabeceira: 65 intelectuais do Brasil e seus livros preferidos, nesta terça-feira 11, às 19h no Bar Canto Madalena.

O lançamento da Editora Multifoco é uma declaração de amor à leitura e à criação literária. Intelectuais de respeito escolheram, em depoimento ao autor, seus cinco livros mais adorados. As leituras escolhidas são obras que sobreviveram ao tempo, alinhadas sem ordem de importância. Entre eles está Menalton Braff, colunista de CartaCapital.

O livro não tem a pretensão de reunir um cânone tampouco necessariamente uma relação dos melhores títulos, dos mais importantes da literatura. Trata-se tão somente de cinco livros que cada um pudesse recomendar, de bom grado e sem vacilações, ao público leitor.Leituras que tenham dado a eles prazer, leituras que tenham estimado e formado sua iniciação cultural.”

Serviço:
Os Livros de Cabeceira: 65 intelectuais do Brasil e seus livros preferidos, de Gabriel Kwak (Editora Multifoco)
11 de junho, terça-feira, 19:00
Bar Canto Madalena - Rua Medeiros e Albuquerque, nº 471, Vila Madalena, São Paulo – SP


11 junho, 2013

Herói ou Traidor?


Eliakim Araujo, Direto da Redação

Edward Snowden, de 29 anos, o homem que revelou as atividades de monitoramento da Agencia de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA),  está seriamente ameaçado de ser extraditado para seu país onde será julgado por crime de alta traição, podendo passar o resto da vida na cadeia. Tudo vai depender das negociações entre o Departamento de Justiça dos EUA e as autoridades chinesas.

Para azar do delator, China e EUA estão momentaneamente em lua de mel, depois dos encontros de Obama com Xi Jinping , no último fim de semana. Por via das dúvidas, Snowden tratou de se esconder e desde segunda de manhã não foi mais visto no hotel de Hong Kong.

10 junho, 2013

Se for a uma festa familiar, não me convide



“Hey, Jude, the movement you need is on your shoulders”
(Lennon e McCartney)

“A gente às vezes se baseia em certos ditames populares bestas pra ir tocando a vida em frente, vocacionados que somos para a fantasia, para a introspecção de cunho esotérico-religioso, para enganação mental pura e simples, para os artifícios de maquiagem das agruras cotidianas, enfim. Eis a valia de vivermos: fazermos de conta a maior parte do tempo.

Contudo, o tal provérbio “antes só que mal acompanhado” cai como a uma luva quando o assunto em questão é família. Refiro-me, evidentemente, às famílias caóticas, aos lares-masmorras, às sucursais do inferno, às terras de ninguém, às células (malfazejas) da sociedade.

Eis o que representam estes amontoados de gente insana consanguínea — sejam eles bacanas ou pés-de-chinelo — a morarem sob o mesmo teto: infortúnio.

Sem exagero: em determinados casos, é melhor dividir morada com estranhos maltrapilhos embaixo de uma marquise do que conviver com certos papais, mamães, avós e filhinhos. A não ser pela grana (e, quando eu digo grana, refiro-me às grandes fortunas), não vale a pena a azia de um almoço em família para “discutir as relações”. Acreditem: nesses casos, as relações são puramente comerciais. Ninguém suporta bucha se não for por dinheiro.

Porque o que me deixa mais intrigado — para não dizer constrangido, desesperançado, puto da vida — é a convicção de que eu tinha tudo para ser um estorvo ainda maior ao mundo, caso não fosse salvo pelo chamado “berço familiar”. Aposto as minhas minguadas fichas no pensamento de Hobbes, quando ele diz que o homem já nasce prontinho para a maldade. A sociedade nada mais faz senão domesticá-lo, adestrá-lo, administra as suas crises numa espécie de pacto crucial para um convívio minimamente viável, um pacote de medidas preventivas contra o caos.

De tal forma que não vou ficar aqui me gabando por ter passado a infância a gangorrar em berço esplêndido. Também não serei hipócrita o bastante (embora muitos se amarrem numa hipocrisia) para me solidarizar com a bruteza impiedosa dos crápulas, ao ponto de oferecer-lhes a outra face. Não. Nem fodendo. Não sou Cristo, muito menos, Barrabás. Sou, tão somente, aquele cidadão de intelecto mediano com aflições acima da média.”
Artigo Completo, ::AQUI::

09 junho, 2013

Livro sobre desaparecida política revela ao mundo Brasil 'desconhecido'


Detalhe da ilustração da capa do livro K

Mônica Vasconcelos, BBC Brasil

‘Um livro que narra a busca de um pai por sua filha desaparecida política durante a ditadura militar no Brasil está surpreendendo editores estrangeiros ao revelar um capítulo pouco conhecido da História brasileira – ao menos no exterior.

Publicado no Brasil em 2011, o livro K, do escritor e cientista político paulistano Bernardo Kucinski, já ganhou traduções em inglês, espanhol e catalão, e será publicado também em alemão e hebraico. 

Obra de ficção, o livro é baseado nas histórias reais do pai do autor, Majer Kucinski – o personagem K -, um judeu polonês que fugiu do nazismo e foi viver no Brasil, e da irmã do escritor, Ana Rosa Kucinski Silva.

Militante política e professora de química da Universidade de São Paulo (USP), Ana Rosa foi sequestrada e morta por agentes a serviço do governo militar. Seu corpo jamais foi encontrado.

08 junho, 2013

Eldorado para todos


Urariano Mota, Direto da Redação


As imobiliárias, as construtoras, são irônicas e bárbaras em um só movimento quando põem nomes nas suas armadilhas, mais conhecidas pela alcunhas de  Residenciais e Edifícios. Não têm escrúpulos nem limites. Vão de Leonardo da Vinci, de Praia do Sol, de Costa Azul a Paraíso Tropical. Ou de Morada dos Deuses, de Céu de Anil a Recanto das Acácias, e a tudo o quanto o cérebro do lucro inventar. Existe toda uma poética de logro e embuste, de roubo e furto, para enganar incautos e necessitados. Que chegam, que caem, sempre caem, pois a carência de um lar, de uma casa, é um desejo que resiste a todas as ilusões.