29 janeiro, 2015

“Sonho de garoto da direita brasileira”: o modelo Globo de novelas visto da Argentina


Publicado no Unisinos

"O canal Telefe encerrou, nos primeiros dias de 2015, a transmissão de “Flor do Caribe”, telenovela em que a Rede Globo, emissora dominante no Brasil e que costuma perturbar os governos do Partido dos Trabalhadores com operações diversas e sofisticadas, propõe um singular modelo de organização social, em que os brancos, militares e a fé são os únicos capazes de resolver conflitos complexos e dramáticos.

A Globo é uma das maiores produtoras de telenovelas do mundo. Suas transmissões chegam a 90 países e na nossa região possui alianças com a Telefe, Canal 13 do Chile e Azteca do México, entre muitos outros. Dezenas de milhões de brasileiros podem receber, em algum momento do dia, ainda que não procurem e nem desejem, um conteúdo multimídia, por meio de seu canal central, os regionais, rádios, jornais, revistas e a grande presença na internet.

28 janeiro, 2015

Nada é tão erótico quanto o cheiro de mulher. Pena que elas não concordam


Fabio Hernandez, DCM

"Li outro dia trechos do livro de memórias escrito por Napoleão quando, miseravelmente abatido e doente, aguardava a morte na Ilha de Santa Helena. Napoleão me impressiona não pela genialidade militar ou pela grandeza histórica. O que realmente me admira em Napoleão são suas observações pessoais e amorosas.

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Napoleão, quando estava voltando de alguma campanha no exterior, mandava avisar Josefina. O libidinoso general queria que ela parasse de tomar banho para recebê-lo com cheiro de mulher. Cheiro mulher. Não há essência que se compare remotamente em poder de arrebatamento ao cheiro de mulher.

27 janeiro, 2015

Encontrar é se perder. E vice-versa


André J. Gomes, Revista Bula

"Não, eu não tenho certeza de nada. Não imagino o que vai acontecer agora.

 Sei lá que rumo tomarão nossas vontades estranhas, elas que de tão livres ousaram atravessar a vida e nos descobrir sozinhos aqui, bichos simples e doces na noite alta. Nem desconfio onde isso vai dar, não tenho ideia do caminho a seguir.

Quanto tempo nos cabe, sei tampouco. Nem o tempo suspeita. Só Deus sabe, mas o tempo divino é outro, não é? Acontece para muito além das pequenas coisas cá debaixo. É o insondável, a mirada impossível, a eternidade de cada segundo. Melhor não tentar contar. Mais certo é viver.

26 janeiro, 2015

“E ela vivia me agradecendo por tê-la ensinado a gozar com penetração”


Fabio Hernandez, DCM

"Meu tio Fábio, um homem sábio do interior, um dia me entregou um livro do Plutarco. Confesso que tremi diante da idéia de enfrentar, na inexpugnável solidão da leitura, as páginas com certeza brilhantes mas inevitavelmente árduas do grego. Mas, prático que é, e conhecedor das limitações de seu sobrinho como leitor, tio Fábio me avisou que desejava que eu lesse somente um trecho marcado numa determinada página.

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Ali se contava a história de um soldado que salvara a vida de um rei numa batalha. Um sábio imediatamente aconselhou o soldado a fugir. O soldado preferiu ficar, na esperança de ser recompensado pelo rei que salvara. Acabou morto. E logo. Quando terminei de ler essa história, imediatamente me lembrei de outro trecho de livro que tio Fábio me passara. Platão – tio Fábio sempre bebeu na sabedoria grega -. Contava que Sócrates disse mais ou menos o seguinte aos homens que o condenaram a tomar cicuta: que bem fiz eu a vocês para que me tratem assim?

25 janeiro, 2015

O jovem que vive em 'déjà vu' constante

Uma das teorias é que déjà vu seria causado por pequenos espasmos no cérebro
"O caso extraordinário de um britânico de 23 anos que há oito anos tem experimentado episódios de déjà vu com grande frequência tem intrigado médicos e cientistas.



E a suspeita de um grupo de pesquisadores do Reino Unido, França e Canadá é que o problema tenha sido desencadeado por um excesso de ansiedade.
Déjà vu (que significa "já visto" em francês) é a expressão usada para descrever aquela sensação de que você já esteve em determinado lugar ou já fez a mesma coisa antes, ainda que o senso comum lhe garanta que isso não é possível.

Pesquisas indicam que cerca de dois terços das pessoas experimentam essa sensação pelo menos uma vez na vida, mas se sabe muito pouco sobre suas causas.

23 janeiro, 2015

O céu (finito) e o inferno (infinito) de uma paixão neurótica

Fabio Hernandez, DCM

"Uma revista masculina americana publicou, há algum tempo, um artigo que era uma espécie de elogio da violência no amor. Não, não. Estou exagerando. O artigo apenas falava como um pouco de guerra entre o homem e a mulher pode, na hora das pazes, resultar num sexo alucinante. (E lá vou eu para mais uma digressão: amo uma passagem do filme O Advogado do Diabo em que o Al Pacino descreve, para o marido traído, o sexo que fez com a mulher deste. Em sua voz tonitruante e cínica, ele diz mais ou menos o seguinte para o marido atormentado: numa escala de 0 a 10, considerando-se que o sexo papai-mamãe que você faz com sua mulher é 3, chegamos a 7.)

22 janeiro, 2015

Quem ama de verdade não vive de mentira!


André J. Gomes, Revista Bula

"Nessas coisas de amor, você há de concordar comigo que quantidade e qualidade nunca se deram lá muito bem. Aliás, é bem certo que tudo aquilo que é demais cansa. Não sei você, mas eu não aguento essa história de que o amor “só é bom se for muito e transbordar e isso e aquilo!”

Não é possível! Será influência da tecnologia? A gente compra um celular com a tela enorme, logo exige um amor maior que seja páreo para o gigantismo da nossa sanha de posse. Ou tanto se orgulha do computador com a maior memória do mundo que obriga a criatura humana ao nosso lado a fazer upgrades impossíveis em suas qualidades amorosas. Aonde é que isso vai dar?

Sim, porque essa confusão só pode ficar pior e nos tornar piores. Quem disse que a fórmula “amor bom é amor demais” vale para todo mundo? E desde quando existe “amor ruim”? Amor é amor e amor é uma coisa boa. Ponto. Se não fizer bem, mal não pode fazer. Porque amor que faz mal não é amor. É outra coisa que a gente, por desespero ou pura falta de imaginação, apelida de “amor”. E isso é nada senão uma baita e vergonhosa mentira.

21 janeiro, 2015

Por que é bom sentir tédio


"Já conheci muita gente com talento para nos entediar, mas Sandi Mann é uma das poucas pessoas que fizeram disso uma arte.



No laboratório da pesquisadora na Universidade de Central Lancashire, na Grã-Bretanha, voluntários bem dispostos têm de cumprir tarefas nada animadoras, como, por exemplo, copiar uma extensa lista de números de telefone. Mann conta que eles participam da atividade educadamente, mas os traseiros inquietos e os bocejos frequentes provam que os voluntários não estão tendo prazer nenhum com a experiência.

O sofrimento deles é uma conquista para a Ciência, já que Mann pretende estudar o efeito profundo que o tédio pode ter em nossas vidas. Até agora, ela é uma das poucas psicólogas a se aventurar nesses territórios de torpor da mente. "É o Patinho Feio da psicologia", define ela.

20 janeiro, 2015

Quem ama de verdade não vive de mentira!


André J. Gomes, Revista Bula

"Nessas coisas de amor, você há de concordar comigo que quantidade e qualidade nunca se deram lá muito bem. Aliás, é bem certo que tudo aquilo que é demais cansa. Não sei você, mas eu não aguento essa história de que o amor “só é bom se for muito e transbordar e isso e aquilo!”

Não é possível! Será influência da tecnologia? A gente compra um celular com a tela enorme, logo exige um amor maior que seja páreo para o gigantismo da nossa sanha de posse. Ou tanto se orgulha do computador com a maior memória do mundo que obriga a criatura humana ao nosso lado a fazer upgrades impossíveis em suas qualidades amorosas. Aonde é que isso vai dar?

Sim, porque essa confusão só pode ficar pior e nos tornar piores. Quem disse que a fórmula “amor bom é amor demais” vale para todo mundo? E desde quando existe “amor ruim”? Amor é amor e amor é uma coisa boa. Ponto. Se não fizer bem, mal não pode fazer. Porque amor que faz mal não é amor. É outra coisa que a gente, por desespero ou pura falta de imaginação, apelida de “amor”. E isso é nada senão uma baita e vergonhosa mentira.

18 janeiro, 2015

Humor que, para fazer rir, faz chorar, não é humor, é sadismo


Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

Então quer dizer que “em nome do humor” vale tudo? Colunistas da grande imprensa garantem que humor existe “para incomodar, para criar polêmica”, e que tem que “escrachar a tudo e a todos”. Sem complacência. Sem limites. Sem trégua.

Deficiente? Só se for agora. Fé? É a primeira da fila. Minorias (homossexuais, negros)? Sem dó nem piedade. Vítimas de estupro? Ora, tenham senso de humor, suas mal-amadas – a menos que sejam mãe, esposa ou filha do “humorista”.

Não sei se é bem assim. Porém, é claro que não adianta explodir ou metralhar cretinos que debocham do sofrimento de alguém que não pode usar as pernas ou de uma mulher que acaba de ser estuprada porque sempre haverá idiotas iguais para fazer a mesma coisa. E, acima de tudo, porque violência não resolve conflitos, agrava-os.

17 janeiro, 2015

Antes só do que amado pela metade. Sozinhos somos inteiros

Rebeca Bedone, Revista Bula

"Você não queria, mas disse adeus. Não havia nada mais que fizesse aquele amor ficar. Restaram somente você e os sonhos que um dia foram de duas pessoas. No vazio do quarto silencioso, sua vontade de se levantar ficava escondida no canto mais frio debaixo da cama. Estava tudo fora do lugar. Móveis, objetos e pensamentos se perderam na bagunça da despedida, na partilha para decidir quem fica com o quê. Murcharam-se as flores do canteiro da janela e você se esqueceu por que precisava sair de casa para viver.
A gente querendo ou não, o frio vem como um beijo da morte, carregado de culpas e porquês. Traz no vento gelado dúvidas como “e se eu tivesse feito isso” ou “se não tivesse feito daquele jeito”. Chega com a solidão congelando o riso e aumentando a dor de quem fica, só não vem mais o amor que já foi embora.

Quando deixamos o amor partir, aprendemos a deixar o inverno passar. E para que chegue a estação do sol e das flores, não podemos mais viver a vida daquele amor sem ele. Ora, você nem curte essas músicas que ouviam juntos só porque ele gostava. Antes, tudo bem. Mas, agora, por que continuar com essa tortura musical? Coloque para tocar a sua canção preferida e tire-se para dançar no meio da sua sala! Então ponha um vaso florido no centro da sua mesa de jantar enquanto reaprende a fazer as refeições somente na sua companhia. Daqui a pouco estará colhendo as flores que nascerão no jardim da sua alma.

Veja!