C. G. Jung e o mundo espiritual

Posted: 14 Novembro, 2009
Frei Leonardo Boff, Adital

“Coordenei junto à Editora Vozes a tradução da obra completa do psicanalista C. G. Jung (18 tomos), o que o tornou um dos meus principais interlocutores intelectuais. Poucos estudiosos da alma humana deram mais importância à espiritualidade do que ele. Via na espiritualidade uma exigência fundamental e arquetípica da psiqué na escalada rumo à plena individuação. A imago Dei ou o arquétipo Deus ocupa o centro do Self: aquela Energia poderosa que atrai a si todos os arquétipos e os ordena ao seu redor como o sol o faz com os planetas. Sem a integração deste arquétipo axial, o ser humano fica manco e míope e com uma incompletude abissal. Por isso escreveu:

"Entre todos os meus clientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu, em todos os tempos, a seus seguidores. E nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro. Não depende absolutamente de uma adesão a um credo particular, nem de tornar-se membro de uma igreja, mas da necessidade de integrar a dimensão espiritual".

A função principal da religião, melhor, da espiritualidade é nos religar a todas as coisas e à Fonte donde promana todo o ser, Deus. Esse é o propósito básico de seu grandioso livro Mysterium Coniunctionis (Mistério da Conjunção) que Jung considerava seu opus magnum. Pois nele se trata de realizar a coniuntio, traduzindo, a conjunção do ser humano integral com o mundus unus, o mundo unificado, o mundo do primeiro dia criação quando tudo era um e não havia ainda nenhuma divisão e diferenciação.”
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As ideologias são dráculas

Posted: 13 Novembro, 2009
Euler de França Belém, Revista Bula

“O notável historiador marxista Eric Hobsbawm avalia que, depois da “libertinagem” capitalista, decorrente da “morte” do socialismo, é provável que a vaga socialista volte, e, quem sabe, com certa força. Mas possivelmente com outro matiz. O encanecido Hobsbawm (bombardeado por Tony Judt, há pouco tempo, por não reconhecer os crimes do stalinismo com a devida correção; o livro de Judt, “O Século XX Esquecido — Lugares e Memórias”, foi editado em Portugal e merece uma edição brasileira) disse isto antes do vendaval Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Lula é um caso específico. Mas o socialismo de Chávez pouco tem a ver com o socialismo clássico, porque seu partido é uma ficção. Pouco tem a ver com o partido leninista-comunista. O poder está “assentado” na figura de Chávez, tanto que, se morrer, o “sistema Chávez” desmorona. O regime chavista é, mais do que socialista, nacionalista, mais próximo do peronismo... com a diferença do petróleo. Porque o petróleo é o sangue que movimenta as diabruras e inconseqüências do líder venezuelano. O petróleo é a Bolsa Família do governo da Venezuela. O governo de Correa é mais inconsistente do que o de Chávez e, sem Chávez para emulá-lo, possivelmente seria uma ficção. O de Morales, nem se fala. Golpes à vista. Assassinatos no horizonte. Na Venezuela, no Equador e na Bolívia. É só esperar.

Lula, como disse, é um caso à parte. Ao contrário do que muitos assinalam, Lula é, sim, de esquerda, adepto de um socialismo que se aproxima de um misto de social-democracia e democracia cristã. Mas, como governa um país capitalista, comporta-se como gestor de uma economia capitalista. É um realista. Aproximou-se dos políticos tradicionais e, de certo modo, os tornou subordinados. Esta aproximação, que muitos tendem a ver tão-somente como fisiológica, é responsável por Lula não ter se tornado uma espécie de Chávez. O realismo possibilitou a Lula verificar que o custo de tentar implantar um regime chavista num país continental e cuja democracia é estável, com instituições sólidas (apesar de crises pontuais), seria impagável. O resultado poderia ser um golpe atrás de outro golpe (Lula tem uma gota do sangue de João Goulart nas veias). A desestabilização da política e da economia. Ao se posicionar como moderado, Lula dá provas de amadurecimento e, até agora, tem jogado dentro das regras da democracia. Aqui e ali, tenta impor alguma medida autoritária, mas, contido pela democracia, cede, o que é positivo. No espectro de esquerda, é, sem comparação, o melhor governante da América do Sul, excetuando, possivelmente, a presidente do Chile, a socialista e realista Michelle Bachelet.”
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O cravo e as tulipas

Posted: 12 Novembro, 2009
Ronaldo Correia de Brito, Terra Magazine

“O escritor argentino Jorge Luis Borges costumava dizer que não havia nada que os seus detratores pudessem escrever sobre ele que o mesmo não pudesse fazê-lo de forma mais rigorosa e contundente.

Alguns críticos trocam a análise de uma obra literária por agressão pessoal e deboche, um subproduto da crítica. A vida e o comportamento dos escritores deveriam importar menos do que suas obras. O único critério justo seria aquele que avaliasse se um indivíduo escreve bem ou mal.

O narcisismo e a vaidade são fragilidades dos artistas. Eles vivem uma contradição: não podem sentir-se satisfeitos com o que fazem e por outro lado precisam defender o que fazem. Já imaginaram um Picasso satisfeito? Não teria passado da primeira fase de sua pintura. E sem a virulência do poeta Rimbaud o manifesto simbolista nunca teria sido escrito, pois implicava na negação de valores consagrados da poesia francesa da época.

É vexatório quando um escritor e jornalista dispara a metralhadora num colega de profissão, atacando-o apenas em supostos defeitos de personalidade, sem analisar uma única linha do que escreve. Isso lembra um velho provérbio chinês que ensina: se vires um homem bom, alegra-te; se vires um homem mau, observa o teu coração. Talvez, os insultos sejam dirigidos a defeitos do próprio caráter.

O papel de um escritor que atua nas bandas de cá do nordeste do Brasil é árduo e conflitante. Muitas vezes ele precisa acender um facho de luz e clarear a própria obra, chamando atenção para ela. Isso pode parecer vaidoso, excessivamente narcísico, um desfile do ego. Mas será também um esforço em chamar atenção para o que ele faz.

Não existe fluxo de informações das cidades do nordeste para o restante do Brasil e do mundo. O poeta pernambucano Carlos Pena Filho dizia que a melhor maneira de continuar anônimo era escrever no Recife. Isso talvez explique porque o contista cearense Moreira Campos, que sempre viveu e escreveu em Fortaleza, é tão pouco lido e conhecido, apesar de sua grandeza.

No Recife, onde existe o movimento cultural mangue, também se conhece a teoria do caranguejo. Vocês já observaram que os caranguejos tentam escapar do cativeiro subindo uns nos outros. Quando algum consegue galgar alturas, o de baixo sai da posição e todos despencam. É o velho pecado capital: a inveja.”
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Garota de Ipanema apedrejada

Posted: 11 Novembro, 2009
"Falando em marketing: garanta sua vaga na Uniban, ela já vem com linchamento totalmente grátis!"

Márcia Denser, Congresso em Foco

Que geração é essa, num país cujo verdadeiro hino nacional já foi Garota de Ipanema, que hoje apedreja moralmente uma garota que vem e que passa com um vestido rosa que sequer era a minissaia inicialmente apontada pela imprensa? Que jovens são esses que abrem mão de todo o seu fundamento cultural, pra não dizer humano, em nome do quê mesmo? Dum diploma fajuto pendurado no rabo? Da Unibronco/Unitaliban/Uniesquina? A menos, é claro, que todos sejam viados... mesmo assim, não é desculpa (ainda que São Paulo tenha a maior parada gay do mundo, poderia explicar, não justificar) pra apedrejar moralmente quem quer que seja.

Leio no blog do Luís Nassif: “Temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e mais faculdades de medicina do que toda a Europa (!!!!!!!!!!!!!!!!). Estamos enganando os jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados: na recente inscrição para emprego de garis no Rio, inscreveram-se 2 mil com curso superior. Esse tipo de estabelecimento existe por todo o Brasil. São universidades caça-níqueis, sem qualquer compromisso real com a educação, porque não são lideradas por educadores de verdade e sim por comerciantes para quem tanto faz escola como posto de gasolina.”

As melhores universidades norte-americanas e europeias não têm fins lucrativos, são fundacionais e rigorosamente avaliadas pelo corpo discente: ninguém investe o futuro dos filhos em estabelecimentos fajutos; nos EUA, é rara a boa universidade com menos de 70 anos de fundação, as grandes têm dois séculos. Na Europa, daí para mais.”
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Muro de Berlim: 223 mortos. Muro que separa os EUA do México: 5,6 mil mortos

Posted: 10 Novembro, 2009
Pátria Latina / Opera Mundi

“No aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, o mundo convive com uma série de barreiras que servem para conter a livre circulação de pessoas. O muro que divide a Cisjordânia de Israel e o que impede a passagem de imigrantes mexicanos para os Estados Unidos são os mais conhecidos, mas há outros.

O exemplo mais recente vem da Eslováquia. Em outubro, uma muralha de 150 metros de comprimento e dois de altura foi erguida na cidade de Ostrovany, uma comunidade rural no nordeste do país, com o intuito de isolar um acampamento de ciganos.

A ação, aprovada em 2008 pelas autoridades locais e colocada em prática na última semana, é o último capítulo da crescente tensão entre os habitantes da localidade e os ciganos. Os habitantes de Ostrovany os acusam de roubar frutas dos jardins privados. Episódios violentos foram registrados, como a morte de um fazendeiro por membros da comunidade cigana e manifestações de grupos de extrema-direita para qualificar o que chamam de “terror cigano”.

O prefeito de Ostrovany, Cyril Revákl, afirmou ao diário eslovaco SME que a medida não é racista. “Sei que há muita gente decente vivendo entre os ciganos, mas ninguém deve passar pelo inferno diário de enfrentamentos”.Já a secretaria que representa a comunidade cigana anunciou que investigará a construção do muro. O responsável, Ludovít Galbavý, classificou a construção como “discriminatória”.
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Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim: Além do fundamentalismo do mercado

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Eric Hobsbawm, IPS/Envolverde

"O breve século XX foi uma era de guerras religiosas entre ideologias seculares. Por razões mais históricas do que lógicas, o século passado foi dominado pela oposição entre dois tipos de economia mutuamente excludentes: o “socialismo”, identificado com as economias planejadas centralmente do tipo soviético, e o “capitalismo”, que cobriu todo o resto.

Esta aparente oposição fundamental, entre um sistema que tentou eliminar a busca pelo lucro da empresa privada e outro que procurou eliminar toda restrição do setor público sobre o mercado, nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar o público e o privado de variadas maneiras e de fato o fazem. As duas tentativas de cumprir a qualquer custo com a lógica dessas definições de “capitalismo” e “socialismo” fracassaram. As economias de planejamento comandadas pelo Estado do tipo soviético não sobreviveram aos anos 80, e o “fundamentalismo do mercado” anglo-norte-americano, então em seu apogeu, se fez em pedaços em 2008.

O século XXI terá de reconsiderar seus problemas em termos mais realistas. De que maneira o fracasso afetou os países anteriormente comprometidos com o “modelo socialista”? Sob o socialismo, eles não foram capazes de reformar seus sistemas de economia planificada, embora seus técnicos tivessem plena consciência de seus defeitos fundamentais, que eram internacionalmente não competitivos e continuavam sendo viáveis apenas na medida em que estivessem isolados do resto da economia mundial.

O isolamento não pôde ser mantido, e quando o socialismo foi abandonado, já o fora pelo colapso dos regimes políticos, como ocorreu na Europa, ou pelo próprio regime, como sucedeu na China e no Vietnã, esses Estados mergulharam de cabeça no que para muitos parecia a única alternativa à disposição: o capitalismo em sua então dominante forma extrema do livre mercado.

Os resultados imediatos na Europa foram catastróficos. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram seus efeitos. Felizmente para a China, seu modelo capitalista não se inspirou no neoliberalismo anglo-norte-americano, mas no muito mais dirigista dos “tigres” do Leste asiático. A China lançou seu “grande salto adiante” econômico com escassa preocupação por suas implicações sociais e humanas.

Este período agora está chegando ao fim, tal como ocorre com o domínio do liberalismo econômico anglo-norte-americano, embora ainda não saibamos quais mudanças trará a atual crise econômica mundial depois de superados os efeitos da sacudida dos últimos dois anos. Somente uma coisa é clara, há um importante deslocamento das velhas economias do Atlântico Norte para o Sul e, sobretudo, para a Ásia do Leste.”
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Geisy e o humor na TV

Posted: 09 Novembro, 2009

Márcio Alemão, Terra Magazine

“Toda a mídia está se encarregando de massacrar e execrar a atitude da escolinha UNIBAN que expulsou Geisy e que certamente irá erguer um obelisco em homenagem aos seus agressores, que se tornaram vítimas.

De minha parte, no meu assunto, lembrei de muitos momentos nos quais o personagem "aluna gostosa" simplesmente nos fazia e nos faz rir. Essa "aluna" frequentava outras escolinhas de melhor nível que a citada.

Na Escolinha do Professor Raimundo, se não me falha a memória, Alcione Mazzeo chegou a fazer esse papel. Alcione casou-se com Chico Anysio. E depois dela vieram várias outras.

Na hilariante Escolinha do Golias, na década de 90, a aluna gostosa e burra servia como escada e ajudava a piada a ficar mais engraçada. Na Uma Escolinha Muito Louca, que está no ar, na Band, sim, também temos algumas moças exuberantes que não são atacadas pelos coleguinhas.

Sempre foi possível questionar esse tipo de humor sexista ou mesmo chamado de "humor de preconceito", que vai tentar ver graça na burrice, nos atributos físicos das mulheres e na opção sexual dos homens. Em outros tempos também rolava a piada racista, que hoje não existe mais.”
Foto: Terra
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Modo diferente de falar do amor

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Leonardo Boff, Adital

“Frequentemente sou convidado para falar sobre o amor. Sinto certo constrangimento porque esta palavra - amor - é uma das mais desgastadas de nossa linguagem. E como fenômeno interpessoal, um dos mais desmoralizados. Para não repetir aquilo que todo mundo já sabe e ouve, costumo fazer uma abordagem inspirado num dos maiores biólogos contemporâneos: o chileno Humberto Maturana. Em suas reflexões o amor é contemplado como um fenômeno cósmico e biológico. Expliquemos o que ele quer dizer: o amor se dá dentro do dinamismo da própria evolução desde as suas manifestações mais primárias, de bilhões e bilhões de anos atrás, até as mais complexas no nível humano. Vejamos como o amor entra no universo.

No universo se verificam dois tipos de acoplamentos (encaixes) dos seres com seu meio, um necessário e outro espontâneo. O primeiro, o necessário, faz com que todos os seres estejam interconectados uns aos outros e acoplados aos respectivos ecossistemas para assegurar sua sobrevivência. Mas, há um outro acoplamento que se realiza espontaneamente. Os topquarks, a primeira densificação da energia em matéria, interagem sem razões de sobrevivência, por puro prazer, no fluir de seu viver. Trata-se de encaixes dinâmicos e recíprocos entre todos os seres, não vivos e vivos. Não há justificativas para isso. Acontecem porque acontecem. É um evento original da existência em sua pura gratuidade. É como a flor que floresce por florescer.

Quando um se relaciona com o outro (digamos dois prótons) e assim se cria um campo de relação, surge o amor como fenômeno cósmico. Ele tende a se expandir e a ganhar formas cada vez mais inter-retro-relacionadas nos seres vivos, especialmente nos humanos. No nosso nível é mais que simplesmente espontâneo como nos demais seres; é feito projeto da liberdade que acolhe conscientemente o outro e cria o amor como o mais alto valor da vida.

Nessa deriva, surge o amor ampliado que é a socialização. O amor-relação é o fundamento do fenômeno social e não sua consequência. Em outras palavras: é o amor-relação que dá origem à sociedade; esta existe porque existe o amor e não ao contrário, como convencionalmente se acredita. Se falta o amor-relação (o fundamento) se destrói o social. Sem o amor o social ganha a forma de agregação forçada, de dominação e de violência, todos sendo obrigados a se encaixar. Por isso sempre que se destrói o encaixe e a congruência entre os seres, se destrói o amor-relação e com isso, a sociabilidade. O amor-relação é sempre uma abertura ao outro e uma con-vivência e co-munhão com o outro.”
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A mulher-objeto de SP

Posted: 08 Novembro, 2009
Eduardo Guimarães, Cidadania.com

“Agora é oficial: se você é mulher e mora em São Paulo, saiba que, nesta terra de hipocrisia sem fim, você é nada mais, nada menos do que um objeto, um ser que deve medir cada palavra, cada gesto, cada decisão sobre a própria vida pela ótica hipócrita do homem, que só exige comportamento "recatado" das mulheres nos intervalos de suas caçadas sexuais.

A universidade Uniban expulsou a estudante de turismo Geisy Arruda por sua "sindicância interna" ter concluído que a moça foi a culpada por setecentos alunos terem-na hostilizado aos gritos e lhe ameaçado a integridade física. A instituição justificou dessa forma sua decisão em nota publicada neste domingo em jornais paulistas. Geisy seria provocante demais.

Numa sociedade como a paulista, esse moralismo chega ao pior ridículo. Dêem uma voltinha pelas imediações dessas universidades particulares de São Paulo e encontrarão meninas e meninos usando drogas e até fazendo sexo nos carros. Em seguida, os que fazem e os que não fazem isso entram em aula e se escandalizam com o jeito da menina andar e com o comprimento de seu vestido.

O fato é que as setecentas famílias dos setecentes energúmenos que protagonizaram as cenas de horror que vocês viram há poucos dias devem ter caído matando na direção da Uniban ameaçando tirarem seus filhos coletivamente de lá se a cabeça da Maria Madalena paulistana não lhes fosse entregue.

Mas o moralismo de atirarem a primeira pedra nas roupas de Geisy, na sensualidade de Geisy, é efeito, não causa. Ser mulher, em São Paulo, é não ter direitos como o do homem.

A ex-prefeita Marta Suplicy, por exemplo, caiu em desgraça quando decidiu separar-se do senador Eduardo Suplicy. A elite local ordenou à ralé que se arrasta aos seus pés que passasse a tratá-la como "vagabunda". Durante a campanha eleitoral do ano passado, o jornal Valor Econômico tratou do assunto num excelente trabalho jornalístico sobre as novas Senhoras de Santana.

Cabe agora, portanto, não só ao Judiciário, mas acho que até ao Ministério da Educação reparar esse absurdo. E tem que ser logo, pois a própria nota da Uniban divulgada neste domingo nos jornais paulistas serve de confissão de culpa de violação de cláusula pétrea da Constituição brasileira.”

Carta a um jovem internauta

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Frei Betto, Adital

“Sei que você passa longas horas no computador navegando a bordo de todas as ferramentas disponíveis. Não lhe invejo a adolescência. Na sua idade, eu me iniciava na militância estudantil e injetava utopia na veia. Já tinha lido todo o Monteiro Lobato e me adentrava pelas obras de Jorge Amado guiado pelos "Capitães de areia".

A TV não me atraía e, após o jantar, eu me juntava à turma de rua, entregue às emoções de flertes juvenis ou sentar com meus amigos à mesa de uma lanchonete para falar de Cinema Novo, bossa nova - porque tudo era novo - ou das obras de Jean Paul Sartre.
Sei que a internet é uma imensa janela para o mundo e a história, e costumo parafrasear que o Google é meu pastor, nada me há de faltar...

O que me preocupa em você é a falta de síntese cognitiva. Ao se postar diante do computador, você recebe uma avalanche de informações e imagens, como as lavas de um vulcão se precipitam sobre uma aldeia. Sem clareza do que realmente suscita o seu interesse, você não consegue transformar informação em conhecimento e entretenimento em cultura. Você borboleteia por inúmeros nichos, enquanto sua mente navega à deriva qual bote sem remos jogado ao sabor das ondas.

Quanto tempo você perde percorrendo nichos de conversa fiada? Sim, é bom trocar mensagens com os amigos. Mas, no mínimo, convém ter o que dizer e perguntar. É excitante enveredar-se pelos corredores virtuais de pessoas anônimas acostumadas ao jogo do esconde-esconde. Cuidado! Aquela garota que o fascina com tanto palavreado picante talvez não passe de um velho pedófilo que, acobertado pelo anonimato, se fantasia de beldade.”
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Tas: na presidência, Lula ganhou todos os diplomas do mundo

Posted: 07 Novembro, 2009
O apresentador e jornalista Marcelo Tas lançou, na noite desta quinta-feira, 4, Nunca antes na história deste país. O lançamento foi realizado na Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo, e foi acompanhada por uma sessão de autógrafos.

Carolina Oms, Terra Magazine

A obra reúne diversas frases do presidente Lula, comentadas pelo apresentador do CQC (Custe o Que Custar), da TV Bandeirantes.

O jornalista falou à Terra Magazine sobre o comportamento do presidente:

- Resolvi criar essa tese: o Lula não tinha diploma antes de ser presidente, mas com a faixa presidencial ele ganhou todos os diplomas do mundo, ele sabe falar sobre qualquer assunto
E especula sobre os sentimentos de Lula, "ele deve ter dias de angústia também". "Tem dia que ele acorda e diz: "Meu Deus, que merda eu fui fazer? Eu, que fui aquele cara do PT que defendia os trabalhadores e os oprimidos, agora estou aqui com o Collor", imagina Tas.

Terra Magazine - Como foi a sessão de autógrafos?
Marcelo Tas - Foi um massacre, foram cinco horas das sete e meia até a meia noite e meia e eu estava como uma noiva que não sabia o que iria acontecer na noite de núpcias. Foi a minha primeira vez. Não só escrevendo um livro, mas dando autógrafo.
E eu fiquei muito feliz, muito surpreso, me senti assim um Chico Xavier, recebendo uma fila de pessoas pra dar um passe, sabe, assim um pai de santo? Um por um chegava pedia um conselho pedia um passe, pedia uma palavra?
As pessoas querem ter um momento exclusivo com você e que daquele encontro surja alguma faísca, é muito engraçado. Eu não sabia que era assim, mas saí vivo e é engraçado, pode parecer um clichê, mas eu me senti renovado com esse contato direto com gente que as vezes vai no programa mas que não dá tempo de conversar.

E como foi a sua primeira experiência como escritor?
Eu te confesso que foi um pouco traumática porque eu não pensava que daria tanto trabalho. Mas dá trabalho justamente porque é apaixonante. Tem uma hora que o livro pega você e você passa a dormir menos, a ficar acordando no meio da noite e ter medo de esquecer uma idéia que você teve ali na cama e aí você levanta... Aí acabou sua vida, acabou sua saúde.
Mas é apaixonante, é por isso que é tão difícil. Eu já li tantas entrevistas de escritor e agora eu pude comprovar na pele que o único jeito de você realmente viver as coisas é ver exatamente como elas são.

E por que começar logo com o presidente Lula?
Foi um convite da Panda Books, a editora do livro, o Marcelo Duarte me procurou com uma pasta cheia de frases do Lula, em dezembro do ano passado e me perguntou se aquilo daria um livro. E foi assim: dormi com aquele negocio, achei que simplesmente listar frases seria muito pouco, e aí comecei a inventar moda e foi aí que a coisa começou a crescer mais do que a gente imaginou, mais do que a gente esperava."
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A questão nacional

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Eduardo Bomfim, Vermelho.org

“Se observarmos o processo histórico e os conflitos das classes sociais em nosso País sob o ângulo da centralidade da questão nacional como eixo fundamental, como elemento decisivo às transformações econômicas e à emancipação social, tanto o passado, o presente, quanto o futuro da nação sempre adquirem contornos mais nítidos e elucidadores.

Na realidade a trajetória de todas as nações que conseguiram superar graves dificuldades relativas à soberania, à integridade de seus territórios, ao sofrimento das maiorias, excluídas de perspectivas de um futuro digno, passou de uma maneira ou de outra pela ampla união dos seus povos em torno de um projeto nacional estratégico.

Quando esse caminho não foi percorrido, prevalecendo um povo fragmentado, dividido, imerso em contradições antagônicas e irreconciliáveis, esses mesmos povos foram derrotados ou pelo menos adiaram a emancipação nacional e a própria soberania social.

No Brasil as grandes batalhas vitoriosas foram aquelas em as plataformas políticas construídas em unidade e sob largos consensos democráticos vingaram e as forças conservadoras ou outras fracionadoras do espírito nacional, algumas posicionadas à esquerda do cenário político, em cada período histórico determinado, foram isoladas e derrotadas.”
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O lema da campanha Serra Presidente, será?

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