01 outubro, 2014

Um Brasil bonito também pode ser visto na TV


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Vou dar um tempo na cobertura da campanha eleitoral porque as novas pesquisas (Ibope e Datafolha) só deverão ser divulgadas na noite desta terça-feira. Seria como fazer comentário sobre um jogo de futebol antes da gente saber o resultado. Melhor é esperar um pouco e aproveitar para falar de coisa boa, que também tem no nosso País.

E pode até ser visto na nossa televisão, entre tantas desgraças e violências, denúncias e baixarias. Zapeando tarde da noite, fui surpreendido pelas belas imagens do "Zapping", programa apresentado por Vera Viel, que é exibido às segundas, depois do Jornal da Record News, onde eu trabalho.

Já tinha começado a passar a reportagem de Renata Alves sobre o Brasil bonito que ela descobriu em Capela, interior de Alagoas, a 60 quilômetros de Maceió, mas estava tão saborosa que, apesar do sono, resolvi ver até o fim. Valeu a pena.

30 setembro, 2014

Receita de alegria para antes, durante e depois do amor


André J. Gomes, Revista Bula

"Eu sabia, ah, sabia, sim. Era certo que isso havia de acontecer. Uma hora, lá pelas tantas do encantamento, nossas gentilezas e coincidências, nossas impressões compartilhadas, figuras trocadas, opiniões repartidas e miradas divididas se tornariam outra coisa além da pura e simples conversa generosa. Só podia.

Toda a nossa franqueza em recordar e conhecer as histórias de cada um, nossa disposição em se ouvir e compreender como fôssemos o universo inteiro, a despeito dos apelos aborrecidos do resto do mundo, tudo isso só podia dar no ponto a que chegamos. Só podia dar no que temos agora.
Você e eu brincamos com fogo, cruzamos a linha, corremos todos os riscos voando baixo nossos sonhos de grandeza, abraçando o mundo de mãos dadas, desafiando todos os limites. E agora pronto.

29 setembro, 2014

A maldição do homem gentil


, DCM

"Algumas mulheres já me disseram que sou um homem gentil. Curiosamente, todas disserem isso antes de me deixar. De modo que comecei a acreditar que ser gentil era um defeito. Nadja, minha namorada, recentemente andou jogando esta conversa de novo para o meu lado e pensei: mais uma que se vai.

Foi em um restaurante. O restaurante era condecorado, ela estava linda, com um vestido novo. Havia um clima festivo no ar e eu me sentia bem. No entanto, percebi que no decorrer do jantar o clima começou a pesar. Ela, de repente, ficou implicante, disse que queria ir embora e me apunhalou: “Você é gentil, mas não presta atenção”.

28 setembro, 2014

Como saber a hora de partir?



Karen Curi, Revista Bula

"Chega um instante em que você tem que decidir o seu destino. Permaneço no meu querido sofá rasgado que já tem a forma do meu corpo? Ou pego a mochila, umas mudas de roupa, e saio de fininho antes do amanhecer? Todos passam por momentos de decisão onde um passo pode levar tanto para a glória, quanto para a beira de um abismo.

A sensação que tenho é que quanto mais amadurecemos, mais precisamos tomar as rédeas da nossa vida. Quando somos crianças sempre existem alguém que decide por nós; o que vamos comer, aonde ir, o que vestir… Com o passar do tempo o fato de ser pessoa começa a nos cobrar decisões. Vem bem de mansinho e sem que a gente se dê conta passamos a decidir com quem nos relacionar, que profissão escolher, fazer um plano de carreira. Vamos pouco a pouco tomando o controle da nossa existência, conduzindo nossos caminhos, até que, num piscar de olhos, somos pilotos de Fórmula 1 disparados na carreira da vida, entre ultrapassagens e colisões lutando para chegar ao podium. Você é o piloto, o condutor, quem tem a posse da direção.

27 setembro, 2014

Porque fetiche não se discute


, DCM

"Acontece que a hipocrisia humana não conhece nem mesmo os limites sexuais. Pensei sobre isso outro dia, quando ouvi um diálogo – no mínimo – revoltante. “Eu já fiquei com mulheres.” “Sério? (cara de babaca assustado)”. “Sério. Você não curte?” Curto, mas só com as vagabundas. Você é minha namorada.” Não preciso nem dizer que, a partir de então, ela não era mais a namorada dele.

É lamentável, mas muitas pessoas – muitas mesmo – ainda cultivam talvez o preconceito mais incompreensível de todos: o preconceito sexual.
Gente como o ex-namorado babaca da minha amiga. Gente que vê gang bang na internet mas discrimina swingers, que tem preconceito com lésbicas mas ainda acha que precisam de um pau entre elas. “Não curto, mas se eu puder participar…”  Gente que faz um sexo idiota e limpinho e vai dormir a ponto de explodir de tesão, sonhando com a putaria louca que, na verdade, queria ter feito. Gente que arregala os olhos cheios de preconceito ao ouvir o fetiche alheio, enquanto guarda o seu bem escondido – afinal, o que é que vão pensar?

26 setembro, 2014

Aquiles

O galo era meu amigo, mas me tratava como se fosse meu patrão
'Era eu aparecer no quintal, lá vinha o galo correndo para o meu lado, com as suas asinhas levantadas 

Menalton Braff, CartaCapital

Criança ainda, fui amigo de um frango. Não sabia bem o que era amizade, mas frango eu sabia bem o que era. E aquele, considerava meu. Tomei conta dele, com desvelos de mãe, desde a primeira vez que vi o pintinho amarelo, porque era especial. Muito especial. Também não sabia o que era especial nem por que aquele pintinho amarelo era especial. Mas ele era. Tenho certeza disso.
Aprendi a fazer um ruído imitando o chamado da galinha, e as primeiras quireras que o Aquiles comeu foram dadas a ele por mim. Bem, o meu frango se chamava Aquiles apesar de não ter o bico adunco. Acontece que ele era a cara de um colega de escola de quem eu gostava muito. Foi, assim, uma espécie de homenagem. Seu nome.

25 setembro, 2014

O mito do homem "forte e seguro"

Você é apenas um menino se fingindo de homem (reprodução)
"Seu dia chegará. E chegou [...] Você tem tudo e parece o cara mais seguro do mundo, como todos os seus colegas e amigos. Mas só parece. No fundo, você é apenas um menino se fingindo de homem. Assim como todos os seus amigos

Fabio Hernandez, DCM

Você é um menino. Treze, catorze anos. Inseguro, tímido. Começa a se interessar pelas mulheres. E não vai demorar para perceber que mulheres e problemas aparecem juntos em sua vida. Você não sabe lidar com o mundo novo no qual está entrando. Sua voz está mudando. Os pêlos estão aparecendo. O futebol já não é seu único interesse. Aparecem os primeiros bailes. Você não sabe direito que roupas escolher. As sugestões de sua mãe lhe parecem horríveis. Mãe nunca acerta na roupa do filho, uma lei tão velha e tão eterna quanto as estrelas no céu e as ondas no mar. Ser criança era muito mais fácil.

E então você olha para os garotos um pouco mais velhos. Eles estão nas classes um ou dois ou três anos mais adiantadas que a sua. Seu olhar mistura admiração e inveja. Eles parecem tão seguros. Tão confiantes. Alguns ameaçam um bigode, uma barba. A voz já está definida. E as meninas da sua classe estão apaixonadas por eles, não por você. Eles são mais altos que você. Eles são melhores que você. Já devem até ter dormido com alguma menina. E você jamais viu uma mulher nua que não fosse sua mãe ou não estivesse numa revista. Eles se libertaram daqueles programas sem graça com a família. Mas seu dia chegará. Os dias hão de passar. Você vai crescer e seus problemas desaparecerão. Você será um homem firme, forte, como os caras mais velhos.

24 setembro, 2014

Você é viciado em sexo? Um teste, caso esteja em dúvida


, DCM

"O Buda tinha o seguinte método de se livrar de um desejo sexual inoportuno. Imaginava a mulher excitante que o provocava sexualmente como uma velhota, uma Sophia Loren aos 75 parecida com o Cauby Peixoto.

Envelhecia-a. Podia até transformá-la mentalmente num cadáver putrefato, como aqueles que você vê em filme de terror, carne se descolando do osso num espetáculo, para usar palavras de Euclides, truanesco e pavoroso.
Acabou.

É um bom método, a não ser pelo detalhe de que nem todo mundo tem a força mental do Buda.

Me ocorreu essa história quando li, algum tempo atrás, que Tiger Woods ficara internado numa clínica para viciados em sexo e Iris Robinson, a primeira dama irlandesa sessentona que se enfiou numa aventura com um cafa de 19 anos, descansou numa casa para desequilibrados mentais.

23 setembro, 2014

De pernas para o ar


"A vida e o conforto dos animais é a bola da vez. Quem nos livrará desta praga do “politicamente correto”?

Menalton Braff, CartaCapital

Meu amigo Adamastor, que além de gigante é carnívoro, me chegou ontem aqui em casa pálido, trêmulo, um olhar meio alucinado. Conheço o Adamastor há muito tempo, na realidade desde os tempos em que andei estudando “Os Lusíadas”, quando o mundo era diferente, isto é, ainda não andava de pernas para o ar. E tanto o conheço que previ problemas graves em sua vida.

Apontei-lhe uma cadeira e o servi de um cafezinho. Seus lábios arroxeados me preocuparam, então instei com ele para que me contasse o que acontecera.

Sua história, apesar da simplicidade, tinha um conteúdo extremamente grave. Contou, depois de algum tempo em que só bebericava o café, que no dia anterior resolvera matar um frango para assar. Era o almoço de domingo, e, diferentemente de seus ancestrais, que nos domingos só comem peixe, ele prefere frango assado. Bom, e daí?, perguntei. Que mal há nisso? Acontece, ele continuou, que um vizinho, por cima do muro e de oitiva, assistiu à cena do crime. E correu para denunciá-lo.

− Que faço agora?

22 setembro, 2014

99 doses de Nietzsche


Carlos Willian Leite, Revista Bula

"Publicado no Brasil pela editora Sextante, “Nietzsche para Estressados” é um pequeno manual que reúne 99 máximas do gênio alemão e sua aplicação a várias situações do dia a dia. No livro, cada capítulo é iniciado por um aforismo de Nietzsche, seguido de uma interpretação atual feita por Allan Percy, autor da compilação.

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844, na cidade alemã de Röcken.

Escreveu centenas textos críticos sobre religião, moral, cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. Seu legado filosófico até hoje não perdeu o poder de inspirar.

“Aos 25 anos Nietzsche já era professor de filologia clássica. No entanto, sua atividade docente foi interrompida em 1870, quanto estourou a Guerra Franco-Prussiana. Nietzsche participou do conflito como enfermeiro, mas foi obrigado a abandonar Guerra por causa de uma disenteria, da qual nunca se recuperou totalmente. Obrigado a se aposentar prematuramente por conta de sequelas da doença, Nietzsche viveu na Riviera francesa e no norte da Itália, lugares que considerava ideais para pensar e escrever. Sozinho e frustrado por suas obras não alcançarem o sucesso desejado, foi vítima de seus primeiros acessos de loucura em 1889, quando morava em Turim e estava praticamente cego. Morreu em 1900, depois de longas temporadas em clínicas psiquiátricas.”

21 setembro, 2014

A vida é um sonho pro tolo que vive aqui


Eberth Vêncio, Revista Bula

"Vagando nas ruas de São Paulo, tentando chegar vivo em casa, um louco me disse “Cara, eu tô com um palpite, acho que hoje vai chover canivete”. Porra, não acredite nas previsões de um patife! A vida é um sonho pro tolo que vive aqui.

Penando dentro de um metrô, mais cheio que um elevador, um velho mudo me disse “Cara, eu vou ter um chilique, uma gestante vai parir no meu pé”. Porra, não acredite nas manhas de um patife! A vida é um sonho pro tolo que vive aqui.

Pensando bem, o homem não presta. Um negro apanhou de skinheads. A praga de um neonazista entrou no meio da pista, e a pancadaria já-já vai começar. Porra, não acredite nas crenças de um patife! A vida é um sonho pro tolo que vive aqui.