
O cinema como arte deve ser delirante, ainda que possa, também, ser realista. Os grandes filmes brasileiros são frutos de delírios, a exemplo de O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla, Terra em transe e Deus e o diabo na terra do sol, ambos de Glauber Rocha, entre tantos outros, embora haja espaço, no panteão nobre dos grandes eleitos, para o realismo, por exemplo, de Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, entre outros.
José Mojica Marins, no meu entender, segundo melhor juízo, é o único cineasta brasileiro que não dançou conforme a música, e se manteve fiel a seu estilo, à sua imaginação, aos seus devaneios, imprimindo-os no registro das imagens em movimento de A encarnação do demônio. Ano passado tivemos o excelente Jogo de cena, de Eduardo Coutinho, e Santiago, de João Moreira Salles, dois documentários que se destacaram entre os ficcionistas pelo talento de seus realizadores, pela inventiva na abordagem temática, ainda que não sejam obras propriamente delirantes. O que desejo para este ano vindouro é que os filmes nacionais estejam mais aproximados dos delírios mojiquianos do que para o realismo tout court dos que procuram investigar a realidade brasileira com ferramentas de um sociólogo de beira de estrada (Linha de passe é o exemplo mais marcante).”
André Setaro, Terra Magazine
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