
Izabel Virgínia, uma senhora preta e gorda, que parecia estacionada nos sessenta anos, era dona de um café frequentado por políticos e intelectuais da cidade. É claro que o estabelecimento cratense nem se comparava ao Café Savoy de Praga, onde Franz Kafka costumava passar os finais de tarde. Nenhum dos nossos intelectuais se destacou no cenário mundial e os políticos não ficaram conhecidos além das fronteiras do Cariri. Mas Izabel Virgínia, para glória dos homens, fazia um doce de leite divino e uma pamonha cozida em folha de bananeira que era um supremo invento da culinária.
O café ficava numa das ruas principais da cidade, próxima ao cinema Moderno e Cassino, numa casa que servia de morada e ponto comercial, com duas águas, um pé direito acima dos oito metros, no estilo porta e janelas com sacadas, piso de tijoleiras e um corredor comprido que atravessava da sala de visitas até a sala de jantar. As mesas eram toscas, com bancos ou cadeiras de assento de couro de boi. Tudo modesto e sem brilho, despojado como a sábia cozinheira, que na maioria das vezes nem cobrava dos seus fregueses importantes.”
Ronaldo Correia de Brito, Terra Magazine
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