Da vontade cega

Fernando Rego (In memoriam), Terra Magazine

"O filósofo que é triste atribui à tristeza estatuto metafísico. Com ela nutre suas necessidades e, assim, transforma-se no mais triste dos homens, prisioneiro de uma privação ontológica que não consegue saciar. Solidão e infelicidade o transformam em construtor de um saber específico: o saber da morte. Específico porque dele não se tem experiência e quem a possui não pode mais falar.

Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo triste, à maneira de T. Lucrécio Caro, que viveu entre 96 e 55 a.C. Deste, conta-se que enlouqueceu por haver ingerido um filtro amoroso e suicidou-se aos 41 anos de idade, tendo marcado, porém, sua presença no mundo com o poema Da Natureza, que finaliza com o belo e triste relato da peste em Atenas.
Os emblemas carnais, a vontade e a dor estão presentes na filosofia de Schopenhauer como elementos fundamentais da vida humana. O homem é o único ser a deter razão, o que, entretanto, não o protege de sentir-se continuamente enganado pela vida. É a razão que irá transformar e dotar de segredos e motivos manifestos o animal homem. Este animal metafísico é dotado de um corpo que o anuncia como fenômeno limitado por uma finita quantidade de energia. Uma limitação ontológica marca, então, as perguntas que o ser humano faz sobre si mesmo e as causas das secretas feridas que marcam sua essência.

O homem é, para Schopenhauer, o ser de segredos, fundamentado em considerações éticas, portanto, um animal singular, dotado de erros secretos e do segredo de seus erros, que algumas vezes estampa candidamente no rosto. Ardorosamente anseia o homem transformar a razão em cidadela inviolável; mas vã é sua luta, já que a vontade a transforma em um meio, em simples mecanismo no qual se expressa.”
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