Dom Helder Câmara: 100 anos

Urariano Mota, Direto da Redação

"Nos 100 anos do nascimento de Dom Hélder Câmara, que se completam no próximo 7 de fevereiro, muitas homenagens têm surgido. Pelo tom geral que temos visto, quase fazem dele uma nova Madre Teresa de Calcutá. Ainda que tenha nascido três antes da santa Madre Teresa, há uma tendência de fazer de Dom Hélder uma ovelha, só mansidão e paz. Mas esta seria uma boa ocasião de rever os anos de ditadura no Brasil.

Quem foi jovem no Recife, no Brasil depois de 1964, sabe: Dom Hélder era o arcebispo vermelho, o perigoso comunista disfarçado em padre, um ilustre morto-vivo cujo nome e fotos não apareciam nos jornais, apesar de ter sido o brasileiro mais famoso no mundo, depois de Pelé. A sua prática sacerdotal, em um Recife que vinha da pedagogia de Paulo Freire, de governos socialistas, longe estava da simples pregação da caridade, ou de se mostrar superior ao povo miserável. Ao mesmo tempo, os comunistas jamais pensaram, sequer por hipótese, que o arcebispo fosse um dos seus. Havia encontros, havia diálogos entre suas políticas, com mais de um ponto de conflito.

Lembro de Dom Hélder Câmara em duas ocasiões. Na primeira delas, nos anos 70, a repressão política havia aprisionado vários auxiliares dele, poucos anos depois de haver assassinado o Padre Henrique, auxiliar direto do seu trabalho na Arquidiocese. Nessa ocasião, em que o vi pela primeira vez, pude notar um dom desse padre poucas vezes mencionado. Estávamos concentrados, reunidos em frente ao Palácio dos Manguinhos, para um protesto. Então Dom Hélder Câmara nos dirigiu uma fala. E vi, ouvi e notei: Dom Hélder era um orador, um excepcional orador. Franzino, baixinho, havia um cérebro de pensador na sua voz, um talento de ator que o fazia crescer com uma dicção a acentuar as palavras conforme o seu desejo. Ele fazia pausas no discurso, intervalos cujo único fim era imprimir o seu pensamento em nossos espíritos.”
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