A homenagem da Igreja ao Dia da Mulher

Rui Martins, Direto da Redação

"Com alguns dias de antecedência, o arcebispo de Olinda e Recife prestou sua homenagem às mulheres brasileiras, representadas em duas gerações – mãe e filha. Excomungou a mãe por ter permitido à sua filha de nove anos abortar dois fetos gêmeos gerados no estupro cometido pelo padrasto. E o Vaticano completou a homenagem ratificando a decisão do arcebispo que inclui a excomunhão dos médicos praticantes do aborto.

As mulheres brasileiras deveriam colocar no altar das homenagens ao Dia Mundial da Mulher essa decisão clerical digna da Idade Média, quando as mulheres eram queimadas em praça pública suspeitas de feitiçaria, seja por olharem os homens de frente, seja por gozarem mais de uma vez, seja por gritarem de prazer no coito e não pedirem perdão e nem se benzerem por tanto fogo infernal, do qual não deixavam participar seu confessor.

A hipocrisia tem um limite, amplamente ultrapassado com esse ato de excomunhão, sem nenhum valor prático mas grande em significado. Contam que, pouco antes de morrer, Voltaire, o líder francês dos Anos Luzes, recebeu a visita de um padre desejoso de lhe dar a extrema-unção e redimir o ateu impenitentte num ato de contrição. O irônico e cínico Voltaire lhe perguntou – “vem da parte de quem ?” ao que o padre respondeu – “sou um representante de Deus”. Ao que Voltaire, mesmo nos seus últimos instantes, prontamente retrucou – “mostre suas credenciais ou saia deste quarto”.

Faz umas três semanas, na Itália, o pai de uma jovem mantida artificialmente em vida por 17 anos, autorizou que fossem desligados os aparelhos. A jovem tinha 23 anos quando foi vítima de um acidente de trânsito e, aos 40 anos, nunca mostrara nenhuma reação. O corpo mantinha suas funções mecânicas básicas mas o cérebro deixara de funcionar.”
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