No Dia Internacional da Mulher: pelo direito ao aborto, contra o obscurantismo

Emir Sader, Carta Maior

“O direito jurídico à igualdade veio do direito ao voto das mulheres. Mas os passos decisivos para a emancipação feminina vieram com o divórcio, a pílula e o direito ao aborto. No seu conjunto contribuíram a que as mulheres possam dispor do seu próprio corpo e, em parte, da sua vida. Nada mais era fatal e eterno: nem o casamento, nem a gravidez, a sexualidade se separava da reprodução.

A reação conservadora teve seu epicentro nos EUA – no governo Reagan – com a criminalização do aborto. Conseguiram reverter, na opinião pública – a imagem positiva do direito ao aborto – o direito da mulher dispor do seu próprio corpo – buscando transformá-la em algo negativo: a morte do feto, com as intermináveis discussões sobre se o feto continha uma alma e colocava o movimento feminista na defensiva, tendo que se justificar. Bandos violentos passaram a atacar a médicos que faziam o aborto.

A Igreja teve papel importante e os cristãos de esquerda foram submetidos a dilemas: como religiosos, teriam que se opor ao aborto. Como militantes de esquerda – seja pelo direito da mulher, seja pelas razões sociais, de que a grande maioria os abortos são realizados por mulheres pobres, em condições que afetam perigosamente sua saúde.

A atitude da grande maioria das pessoas de esquerda foi a de separar sua fé cristã da política social e pronunciar-se pelo direito ao aborto. Até porque quem não quiser apelar para ele, tem todo o direito de não fazê-lo. O que não é possível, em um Estado democrático e laico, é cercear a todos de um direito, porque os religiosos o vetam.”
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Revista- WMB

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3 comentários:

Kika Serra disse...

Endosse a campanha "Eu também quero ser excomungado"!

Para participar, é só enviar e-mail com o título acima para o endereço do (mal) dito arcebispo: arcebispo@arquidioceseolindarecife.org.br

O texto da mensagem em si fica a critério do remetente.


KIKA SERRA | co-produtora e apresentadora

CAIPIRINHA APPRECIATION SOCIETY
brazilian music beyond the clichés
http://www.CAS.podomatic.com

Alain Pax disse...

Nem vou aguardar nada dessa igreja que revolta o planeta com suas decisões incriveis. Eu resolvi recusar meu bautismo. Abraço francês.

Letícia disse...

Claro! Vamos ser a favor do aborto! Seremos completamente justos! Já pensou se sua mãe sabe que tá grávida de você e resolve abortar? Te matar, só! E se você falasse lá de dentro, obviamente diria: "aborta, mamãe! Melhor ficar bonita, ter direito ao corpo como você quer..." Já pensou se fosse você? Não! Egoístas hipócritas são assim, meu doicinho! Eu já pensei! O meu namorado devia ter sido abortado. A mãe tentou de todo jeito e não deu. Hoje ela morre de arrependimento porque se ele não tivesse nascido, a vida dela não seria a mesma coisa... Mas vamos ser a favor do aborto e ser assassinos! Claro! É ótimo! Excelente!... Se eu fosse o bispo, excomungava a mãe e os dois médicos (dois cavalos que perderam anos estudando para serem assassinos!). Afinal, não somos livres? Nós devíamos escolher! Deviamos ser assassinos conscientes e ter as crianças abortadas e aí quando crescessem, era só dizer: "Ó, mamãe não te quer mais! Vou te matar, ok?"
Uma pena que ainda exista tanta gente idiota na face da terra pra ser favorável ao aborto (e pra ser contra os assassinos dos morros do Rio). Afinal, não é a mesma coisa matar quem tá dentro e quem tá fora?