
"Passei muitas tardes de minha adolescência fazendo pães.
Lembrei disso porque na semana que passou comprei um pacote de farinha de centeio e, por vários dias, abri a geladeira e constatei que o fermento em tabletes lá estava. Eu só precisava pegar o fermento, misturar as farinhas, acrescentar água, sal e um pouco de açúcar, sovar, deixar descansar, trabalhar um pouco mais, formar o pão, esperar crescer mais uma vez e levar ao forno.
Nada complicado. Mas é um trabalho que exige tempo, paciência e, principalmente, vontade de fazê-lo. Ando sem o menor ânimo para fazer pão. E acredite: um bom pão caseiro não pode ser feito de qualquer jeito. O pão é um símbolo e tanto. Exige respeito. Nos tempos em que Zé Rodrix e um montão de gente queriam apenas uma casa no campo, fazer pão e arroz integral era o segundo passo. Acho que deu para entender que o primeiro era a aquisição da casa.
Ouvia muitas histórias nessa época. Era o tempo que a macrô fisgou Gil e Caetano. Nesse tempo passei boa parte das tardes de um verão em São Vicente (como era bonita a Ilha Porchat) a ler sobre o assunto.
Se é para ser sincero, vamos lá. Não lembro de absolutamente nada do que li. Era uma cruzada solitária. Nem me passou pela cabeça trocar alguma ideia com a minha mãe. Meu pai aparecia no fim de semana e imagino o que ele teria pensado se eu o abordasse dizendo que o arroz integral deveria fazer parte da família porque isso deixaria nossos chakras mais disponíveis. Meu irmão mais velho estava interessado em outro tipo de descoberta e alimentação.”
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