A literatura em perigo

Tony Monti, Terra Magazine

"Eu diria que a literatura é, igualmente, uma forma de alegria. Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou. Por isso, acho que um escritor como Joyce fracassou, em sua essência, já que sua obra requer esforço para ser lida".

A observação de Borges, embora uma das mais célebres, não é a única a retratar a experiência da leitura como uma alegria simples. Parece-me bastante temeroso, no entanto, universalizar este modo de ler, defendê-lo como único. O prazer sem grande esforço é uma das possibilidades de fruição, mas elimina os prazeres complexos sem um argumento razoável que defenda tal universalização.

O que me trouxe à memória esta passagem do Borges foi a leitura do último livro de Tzvetan Todorov, "A literatura em perigo". O texto de Todorov defende a idéia de criar meios a partir dos quais a literatura deixe de ser um domínio apenas de especialistas. Segundo ele, o poder que a teoria e a crítica exercem no pensamento francês sobre literatura fez com que a literatura tenha perdido sua dimensão de fruição pouco elaborada. Em outras palavras, Todorov acredita que a literatura que se estuda nas universidades é cada vez menos acessível a um público mais amplo porque as figuras de poder e os discursos que circundam a atividade da leitura valorizam teorias e estruturas distantes do mundo concreto em que se vive. É claro que teoria não é distante do mundo dos teóricos, pode ser um elemento bastante vivo em seu dia-a-dia. Mas o leitor que não dedica o cotidiano aos livros não consegue com este tipo rarefeito de experiência atender a sua busca por discursos que dêem sentido a sua existência.”
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