O Orkut, o Twitter e o Existir

Marcos Donizetti, Digestivo Cultural

“Moro na periferia, e gosto, pelo menos na maior parte do tempo. Agora há pouco havia um carro parado em minha rua, volume do alto-falante no máximo e mensagens de gosto duvidoso, acompanhadas de música sertaneja, homenageando alguma vizinha "sortuda" que não pude identificar. Ao que parece a telemensagem já não é o bastante, e o que importa é gritar o que se sente para todo mundo ouvir. Não estou nem aí para as maneiras exageradas e cafonas escolhidas por muitos quando vão declarar seu amor. Acho mesmo que o direito ao exagero e à cafonice deveria ser garantido a todo cidadão apaixonado, pela Constituição Federal; e sonho viver num mundo em que as pessoas fiquem emocionadas ouvindo Roberto Carlos e Odair José.

Fiquei pensando mesmo é na estranha (para mim) relação que essas pessoas costumam ter com o conceito de privacidade. Logo lembrei dos programas de auditório nas tardes da TV aberta, em que os conflitos mais íntimos são discutidos diante de toda uma audiência nacional, e em outras situações do gênero. Mas acho que o melhor ponto de partida para entender essa questão é mesmo o fenômeno Orkut ou, de maneira mais ampla, o das redes sociais on-line. O momento é oportuno também porque uma série de reportagens em revistas de grande circulação deixou alguns usuários do Twitter apavorados com a possibilidade de ter sua rede "invadida" pelo povão. "Onde já se viu", dizem, "nosso espaço será tomado pelo povo, essas pessoas que ficam se expondo sem qualquer noção, que falam errado e tiram fotos de péssimo gosto. Maldita inclusão digital!".
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