Qual o futuro do "sonho americano"?

O que você promete a um povo a quem foi dito que poderia fazer o que quisesse, que foi repetidas vezes congratulado por viver na melhor de todas as circunstâncias possíveis? Como dizer agora que “os bons tempos” não voltarão? Os estadunidenses precisam de uma nova visão que os ajude a lidar com a realidade, uma história promissora do futuro que os ajude a superar o passado. O que é preciso na vida do povo dos Estados Unidos é uma redefinição dos conceitos de “vida, liberdade e busca da felicidade”. A análise é do jornalista político William Greider.

William Greider, The Nation

Como entendeu Franklin Roosevelt, os estadunidenses adiarão benefícios imediatos e experimentarão sacrifícios pesados – se conseguirem – à medida que forem convencidos de que o futuro pode ser melhor que o passado. Nós estamos, porém, frente a um problema muitíssimo mais difícil em nosso momento na história. O que você promete a um povo a quem foi dito que poderia fazer o que quisesse, que foi repetidas vezes congratulado por viver na melhor de todas as circunstâncias possíveis? Como dizer agora que “os bons tempos”, assim como os conhecemos, não voltarão? Os estadunidenses precisam de uma nova visão que os ajude a lidar com a realidade, uma história promissora do futuro que os ajude a superar o passado.

Eis aqui uma grande visão que eu sugiro os americanos podem perseguir: o direito de todos os cidadãos a vidas engrandecidas. Não a ficar mais rico do que o próximo ou acumular necessariamente mais e mais porcarias, mas o direito a viver a vida plenamente e a se engajar expansivamente nas possibilidades elementares da existência humana. Essa é a essência do que muitos, agora, parecem almejar em suas vidas. As pessoas – mesmo as bem sucedidas e afluentes – estão frustradas por causa das dimensões intangíveis que a vida assumiu ou deslocou, em grande ou pequena escala, pressionada pelas exigências implacáveis do sistema econômico de maximizar a produção de lucros e de riqueza. Nossas verdades morais comuns têm sido destruídas em nome de grandes recompensas. Os aspectos mais leves da experiência mortal estão diminuídos porque a própria vida não está tabulada na contabilidade do sistema econômico.
A ordem política aceita erroneamente essas concessões de limitação da vida como normal, como necessária para alcançar os “bons tempos”. Nos primeiros períodos de nossa história, os sacrifícios exigidos pela máquina capitalista dos Estados Unidos foram largamente tolerados porque a nação era jovem e subdesenvolvida. A máquina prometeu gerar níveis mais elevados de abundância, e o fez. Mas, agora, qual é a justificativa, quando a nação já está rica o suficiente e a máquina continua exigindo pedaços maiores de nossas vidas?”
Pátria Latina / Tradução: Katarina Peixoto
Artigo Completo, ::Aqui::
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