Boas interfaces. Bons leitores?

Ana Elisa Ribeiro, Digestivo Cultural

“A capa de cor laranja com um dos desenhos mais famosos do mundo chamava a atenção do leitor à distância. Displicentemente em cima de uma mesa cheia de outros livros, a obra de Ben Schneiderman parecia apenas mais uma. Culpa do projeto gráfico (de Ana Sofia Mariz) e do selo da editora, que deram ao livro sobre Engenharia de Software e Usabilidade um aspecto muito diferente do que os livros dessas áreas costumam ter. O laptop de Leonardo (Nova Fronteira, 2006, 288 págs.) também tem título de romance juvenil e só se percebe realmente do que se trata quando se chega mais perto. O nome do autor, por fim, convence o leitor de que se trata mesmo de um livro sobre usabilidade ou, ao menos, que advoga pela usabilidade. Não fossem a palavra laptop e os códigos binários espalhados pela capa, o livro não surtiria grande curiosidade.

O Leonardo a que o título se refere é Leonardo da Vinci, inventor e artista italiano do Renascimento, que ficou conhecido pela engenhosidade, por descobertas geniais e pelos dons artísticos. Só para citar um dos produtos de sua genialidade, o quadro da Mona Lisa é, talvez, sua obra mais conhecida. O desenho da capa do livro é o famoso estudo das proporções áureas do corpo humano, em que um homem de braços abertos é visto dentro de um círculo.

O laptop de Leonardo, título traduzido do original inglês, trata de usabilidade de forma acessível, em um equilíbrio importante entre conceitos da Computação e exemplificações simplificadoras. Embora o título pese a favor do livro, o subtítulo em português repele quem não gosta de autoajuda: "Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida", escolha certamente de responsabilidade da editora/tradutora. O título original é bem menos apelativo, podendo ser traduzido, muito ao pé da letra e sem tanta graça, como As necessidades humanas e as novas tecnologias da computação. Outro exercício que traduz bem as ideias insistentemente defendidas por Schneiderman: As tecnologias da Nova Computação a serviço do usuário.

O laptop de Leonardo desenvolve, em 11 capítulos, a ideia de que a Computação deveria ajudar o homem a viver melhor, respondendo às suas necessidades com projetos inteligentes e facilitadores. A preocupação com velocidades e potências, foco do que Schneiderman chama de "a Velha Computação", não teria outra finalidade que não a tecnologia pela tecnologia, em um vazio infinito que não olha a humanidade e dá atenção exagerada à máquina. Em lugar de centrar o foco no objeto, seria, para o autor, especialmente desejável centrar o foco no ser humano.

A obra conta com um breve prefácio, agradecimentos, notas do autor e uma bibliografia. Ao longo dos capítulos, há imagens, desenhos de Da Vinci, printscreens de sites e quadros em que o autor sugere um método para o planejamento de sistemas e ambientes que respondam a necessidades das pessoas reais.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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