Centenas de brasileiros lutaram ao lado dos nazistas

Pela legislação nazista, filhos de alemães eram considerados alemães e, em tempo de guerra, eram obrigados a prestar serviço militar na Wehrmacht — forças armadas alemãs

Euler de França Belém, Revista Bula

O mestre em ciência política e doutor em ciências sociais Dennison de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná, escreveu um livro muito bom, mas ainda exploratório, sobre brasileiros, filhos de alemães, que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao lado dos nazistas de Adolf Hitler. “Os Soldados Brasileiros de Hitler” (Juruá, 122 páginas) não contém aquelas pesquisas exaustivas típicas de scholars europeus e norte-americanos. Leitores exigentes, e não apenas os do meio acadêmico, certamente estranharão o fato de que os personagens do livro, todos reais, não aparecem com seus nomes verdadeiros. Os nazistas teuto-brasileiros só falaram com o historiador com a garantia de que suas identidades seriam preservadas. Como se sabe, os caçadores de nazistas não se aposentaram e, de repente, aqueles que lutaram apenas como soldados, sem comprometimento algum com o Holocausto e os outros crimes bárbaros, podem ter suas vidas expostas e, em consequência, execradas. Para provar que os depoimentos são verdadeiros, que não há invenção literária, Dennison divulga fotografias e dados precisos sobre os militares nazistas. Um escarafunchador de arquivos e entrevistador implacável como o repórter Fernando Morais faria miséria com a história dos soldados patropis de Hitler.

Pela legislação nazista, filhos de alemães eram considerados alemães e, em tempo de guerra, eram obrigados a prestar serviço militar na Wehrmacht (forças armadas alemãs). “Presumo que algumas centenas de brasileiros lutaram na Segunda Guerra Mundial sob a bandeira da Alemanha nazista”, escreve Dennison. O termo “presumo” significa que o assunto está à espera de uma pesquisa rigorosa, que, quem sabe, poderá ser feita pelo próprio historiador, que apurou (bem) as primeiras pistas.

Um dos primeiros entrevistados de Dennison era conhecido por seus colegas soldados como “Der Amerikaner” (o Americano), por ter nascido no Brasil. Como seu apelido era Gingo (ou Güingo, a pronúncia), o historiador usa as iniciais G. S.”
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