Chega de Dia dos Namorados

Marcelo Carneiro da Cunha, Terra Magazine

"Estimados milhares de leitores. Abaixo a opressão. Encalhados unidos jamais serão vencidos. E talvez até desencalhem, se estiverem bem unidos, quero dizer. Não podemos mais tolerar o abuso, a violência, os comerciais de pombinhos felizes aos beijinhos enquanto compram mais um celular de presente. Não podemos mais agüentar em silêncio enquanto esse dia nos faz procurar um canto escondido para podermos ver a novela e comer pizza com guaraná sem ter que dar conta dos olhares piedosos - tadinhos de nós, mais um ano e nada, não é?

Pois eu tentei. Se alguns lembram, já faz um ano que confessei que odiava Dia dos Namorados, aqui mesmo nessa coluna. Admiti aqui, publicamente, toda a minha incompetência, minha incapacidade em convencer, iludir, confundir, hipnotizar ao menos uma, entre os milhões de paulistanas igualmente disponíveis nessa cidade, e parar de ser um triste e solitário habitante de uma triste e solitária luxuosa laje em Pinheiros.

Consegui alguma solidariedade, é verdade. Minha coluna trouxe como conseqüência cento e vinte e sete convites de almas gêmeas para tomarmos juntos um cálice de vinho. Um parênteses: porque vinho? TODAS as moças que me convidaram a fazer alguma coisa, me convidaram, invariavelmente, para bebermos uma taça de vinho ao luar. Alguém aí, que entenda de mulheres e vinhos, por favor me explique o que há de errado com a cerveja, o martini, o pernod, o tang?

Mas, de qualquer maneira, nenhum dos cento e vinte e sete e-mails, veio de São Paulo ou de alguma cidade minimamente alcançável em tempo. Eram mensagens de Fortaleza, Cuiabá, Joinville, lugares distantes e seguros.”
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