Eu não sou jornalista!

Rafael Rodrigues, Digestivo Cultural

“Primeiro, foi um amigo. Depois, minha irmã. Ambos disseram que, com o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, eu sou jornalista. Dei a mesma resposta aos dois: não, eu não sou jornalista. Eles, são, mas enfim.

Escrevo para sites diversos há pelo menos seis anos. No princípio, ficção. Depois, resenhas de livros. Nos últimos tempos tenho me arriscado de vez em quando em um ou outro texto mais jornalístico, mas que não posso chamar de "matéria". Talvez, muito talvez, de artigo.

Tive meu primeiro texto impresso num jornal há já não sei quanto tempo, republicação de uma coluna publicada no Digestivo. Antes disso, apenas uma crônica num jornal aqui da cidade. Mas a renego, porque enviei o texto digitado corretamente, devidamente revisado, e conseguiram publicá-lo com erros gramaticais (do revisor do jornal!).

Mas divago. O assunto aqui é o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo.

A decisão do STF já vinha sendo cantada faz tempo. Ridículo seria a manutenção da obrigatoriedade. Isso para quem não é jornalista ― e, é bom que se diga, para um bom número deles; inclusive nomes como Zuenir Ventura e Caio Túlio Costa (ambos a favor dos cursos de jornalismo, mas não da obrigatoriedade do diploma para a profissão ser exercida). Muitos jornalistas continuam reclamando bastante da decisão ― e não tiro a razão deles. Mas é preciso relembrar algumas coisas e apontar outras que, no calor do momento, são "esquecidas".

Mas, antes, uma pequena recapitulação.

Eu já vinha pensando na ideia, mas foi em setembro de 2001, 11 de setembro de 2001, ainda chocado com o atentado que a al-Qaeda fez ao World Trade Center, que eu decidi que faria jornalismo. Custasse o que custasse, eu faria jornalismo e iria atrás da verdade, das informações difíceis, faria reportagens importantíssimas e de utilidade pública. Desmascararia políticos corruptos, descobriria esquemas de policiais desonestos e empresários sem escrúpulos. Revelaria, também, claro, o lado sujo da profissão, as barbaridades que colegas de trabalho fazem para conseguir uma notícia, os absurdos que fazem para emplacar uma reportagem de capa, ou de primeira página ― muitas vezes escrevendo/publicando mentiras. Isso tudo por conta de um único objetivo: alcançar o prestígio necessário para ser "promovido" a jornalista de guerra.

Foi apenas um sonho.

No fim daquele ano prestei vestibular para Jornalismo (ou Comunicação Social, fica a critério do leitor) na Universidade Federal da Paraíba ― zerei uma das provas de Física (a do segundo dia, se não me engano; foram três dias de provas) e fui eliminado. Na mesma época, me inscrevi para o vestibular da Universidade Federal de Sergipe ― cuja prova não cheguei a fazer, por questões financeiras e porque já havia passado em Letras na Estadual da minha cidade (na verdade, não me deixaram fazer o vestibular em Aracaju).

Paciência. A vida toma rumos que, apesar de no início não acharmos bons, no fim sabemos que não seria melhor de outro jeito. Fosse eu para a Paraíba ou para Aracaju, não estaria hoje com minha noiva e talvez não estivesse hoje no Digestivo, fazendo o que eu gosto, e escrevendo para revistas e jornais, outra coisa de que gosto bastante.

Mas, enfim, divago novamente.

Longe do curso de jornalismo e das reportagens mirabolantes que pretendia escrever, me vi com apenas uma saída: investir na escrita e tentar, com o aprimoramento dela, conseguir espaço em algum veículo (ou veículos). Havia a possibilidade de poder trabalhar em algum jornal da cidade ou mesmo na rede de TV afiliada da Globo. O curso de Jornalismo só veio chegar por aqui recentemente e, até então, a maioria dos profissionais de mídia da cidade era do curso de Letras.”
Artigo Completo, ::Aqui::

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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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