A crise da mídia e a democracia

Emir Sader, Carta Maior

“A inquestionável crise da mídia brasileira se choca com um processo de maior democratização da sociedade brasileira o que, por si só, deveria levar a pensar o caráter tanto da imprensa no Brasil, quanto da própria democracia entre nós.

O que está em crise é a forma de produzir notícias, a forma de construção da opinião pública. Seria grave se a dimensão da crise que afeta a mídia refletisse, nas mesmas dimensões, a democracia no Brasil. Ao ler alguns órgãos da imprensa, pode-se ter a impressão que a democracia retrocede e não avança entre nós, que estamos à beira de uma ditadura, ao invés de um processo – lento, mas claro – de democratização da sociedade brasileira.

Cada classe social toma sua decadência como a decadência de toda a sociedade, quando não de toda a humanidade. Neste caso, é uma casta que controlou a formação da opinião pública, de forma monopólica e que, com isso, se considerou depositária dos interesses do país. Derrubou a Getúlio, contribuiu decisivamente para o golpe militar de 1964 e para o apoio a este, uma parte dela tentou desconhecer a campanha pelas eleições diretas, tentou impedir a vitória de Brizola nas primeiras eleições diretas para governador do Rio de Janeiro, apoiou a Collor, esteve a favor de FHC, a ponto de desconhecer a evidente corrupção presente nos escândalos processos de privatização, na compra de votos para a reeleição, entre tantos outros casos. Agora, se coloca, em bloco, contra o governo Lula, o de maior popularidade na história do Brasil, chocando-se assim flagrantemente com a opinião do povo brasileiro.

A mídia tradicional está em crise, a democracia brasileira, não. Porque se amplia significativamente o circulo de produção de opinião, de difusão de noticias, se democratiza a informação e os que são afetados pelo enfraquecimento do seu monopólio oligárquico – em que umas poucas famílias controlavam a mídia – esbravejam. Tentam impedir a realização da Conferência Nacional de Comunicação, convocada para novembro, porque detestam que se debata o tema da democracia e a mídia.”
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Revista- WMB

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1 comentários:

Heitor Reis disse...

Afinal seria impossível algo que considero inexistente passar por uma crise. Reconheço uma crise que é fruto de nossa tentativa de construir uma democracia de verdade, neste país. Uma crise que tem como causa mais profunda a luta ainda germinal contra uma falsa idéia de que já a atingimos e que ela precisa, apenas, ser aprimorada.

Ou ainda, que “precisamos de mais democracia”... [ Precisamos realmente de mais democracia? http://www.heitor-reis.blogspot.com ]

Que há uma democracia popular e uma outra, impopular...

Que há uma democracia participativa e outra não... [A estupidez conceitual da esquerda: http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=496FDS006 ]

Que há uma democracia representativa, onde os “legítimos” representantes do povo não representam os interesses de seus representados, mas os de seus financiadores de campanha e de seus aliciadores, quando eleitos, motivo de uma descomunal insatisfação dos eleitores com eles.

Que há uma democracia aleijada, cega, surda, muda, tetraplégica, altista e apopléxica!...

Com quantos “mas” se faz uma ditadura? Pergunto eu para o Lalo, outro notável, também professor da USP, na Escola de Comunicação e Artes? [Com quantos "mas" se faz uma ditadura? http://www.lestemais.com.br/colunistas.asp?id_noticia=4763 ]

Uma inconsciente tentativa e uma profunda dificuldade de se romper com a lavagem cerebral coletiva que nos hipnotiza diariamente pela mídia e pelo sistema de ensino, convencendo-nos da existência de uma real democracia, quando ela é apenas virtual, fictícia, formal, etc. Uma crise conceitual!

CONTINÚA EM http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2009/08/451511.shtml