Honduras, a marcha e a resistência heróica de seu povo

Maggie Marin, Revista Bohemia / Adital

"Os milhares de hondurenhos/as que participaram na que me atrevo chamar a grande marcha desse país centroamericano oferecem um singular exemplo para a América Latina e para o resto do mundo.

Porque essa ousada ação desenhada para defender seus direitos em específico é isso; porém, é mais do que isso; e é mais do que uma imensa caminhada. É também, vale esclarecer, uma formidável maneira de defender a totalidade de nossa região dos desígnios nefastos e da sempiterna voracidade dos Estados Unidos
Revolucionária por certeza, latinoamericanista por devoção e periodista por profissão, meus dias começam e terminam e sempre estou mergulhada em pesquisas do que passa por lá. Na imprensa alternativa, claro, porque a Marcha Nacional de Resistência Popular, da mesma forma que todas as ações de repúdio e protesto popular, são ignoradas pelos maiores meios de comunicação do país, propriedade de grupos empresariais que ajudaram a financiar o levantamento militar que depôs ao presidente legítimo, José Manuel Zelaya Rosales.

Portanto, não minto ao assegurar que a atualidade sobre Honduras apresenta diversos ritmos, matizes e graus de tensão. A cada jornada se enrola e desenrola mais de um fato; porém parece subsistir uma espécie de nó cego que a muitos, -Gringolândia em primeiro lugar- convém manter atado até ajustar bem suas porcas. Algo está sempre acima de tudo -algo que, inclusive, tem contrariado os vaticínios agoureiros segundo os quais, após uns dias de revoltas, tudo voltaria à normalidade e as águas voltariam ao seu nível-: a permanente pujança do movimento popular e a virtual rebelião de seus habitantes. Porque, certamente, a despeito da atroz repressão desatada após o golpe e das graves violações aos direitos humanos de que estão sendo vítima, 44 dias depois do golpe, dos hondurenhos mantêm a luta mesmo com o risco de perder suas vidas.

Desde o fatídico 28 de junho, as massas populares saem todos os dias à rua para protestar e executar medidas de pressão contra o governo usurpador: marchas e mobilizações massivas, interromper o tráfego nas estradas, bloqueios de pontes, ocupação de edifícios públicos, paralisações. O mais provável é que a maioria não saiba que o Artigo 3 da atual Constituição Política hondurenha lhes dá o direito à Insurreição Popular em caso da imposição de um governo pela força das armas.
Tradução: Adital
Artigo Completo, ::Aqui::
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