Literatura e mundo virtual

Milton Hatoum, Digestivo Cultural

“Alguns leitores me perguntam se a internet prejudica a literatura. Outros, em tom apocalíptico, afirmam que o mundo virtual vai acabar com a poesia e com a prosa. Discordo dos últimos, mas antes vou tentar responder aos primeiros.

O mundo virtual permite o acesso de milhões de pessoas a obras de autores cujos direitos autorais caíram em domínio público. Há discussões literárias em salas virtuais, onde geralmente debatem-se ideias sobre livros, e não sobre a vida dos autores, que ajuda pouco quando se quer fazer uma leitura analítica de uma ficção ou de um poema. Na internet você pode encontrar vários ensaios literários de qualidade, mas muitos ― talvez a maioria ― só existem nos livros. Por exemplo: se os admiradores da obra de Julio Cortázar quiserem aprofundar sua leitura dos contos de As armas secretas ou do romance Rayuela (O jogo de amarelinha) e as relações dessas narrativas com o jazz, o surrealismo e outras influências importantes na ficção do escritor argentino, certamente terão de ler o livro O escorpião encalacrado, de Davi Arrigucci Jr. Depois dessa leitura os leitores podem promover um debate na rede virtual sobre a obra de Cortázar.

Mesmo se o assunto a ser pesquisado for vulgar, escabroso, ou eticamente desastroso, como a "Era Collor" ― sim, esse mesmo que assumiu a presidência de uma comissão no nosso triste senado ― o pesquisador terá de recorrer aos livros sobre aquele momento histórico.”
Arte: Literature (2007), de James Koehnline
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

Contato- nogueirajr@folha.com.br
Revista- WMB

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1 comentários:

Professora Jack disse...

Olá, sou professora do curso de Formação de Professores (FPELE/CEAD/UFPEL) e gostaria de sua autorização para utilizar textos publicados neste blog.
Saliento que não temos fins lucrativos, nosso material é de uso exclusivamente didático.
Abraços,
J.Koschier