O diamante marciano Charlotte Gainsbourg

Fernando Eichenberg, Terra Magazine

“Gosto da história de como a atriz Charlotte Gainsbourg veio ao mundo. O acaso quis que essa exceção francesa nascesse em solo britânico, em circunstâncias dignas de um roteiro escrito a quatro mãos por Woody Allen e Pedro Almodóvar, com pitadas de David Lynch. Em 21 de julho de 1971, em uma clínica privada de Londres, enquanto Jane Birkin, a mãe, dava a luz, Serge Gainsbourg, o pai, se embriagava com licor de banana do outro lado da rua - como contou a própria Jane em depoimento a Gilles Verlant, autor da biografia-referência "Gainsbourg" (ed. Albin Michel, 763 pág., 2000).

A cada 45 minutos, o ansioso e nervoso futuro papai subia até a sala de parto e, com um estetoscópio colado à porta, tentava auscultar algum choro de bebê. No quarto ou quinto dia de vida, sofrendo de icterícia neonatal (doença comum em recém-nascidos), Charlotte foi transferida para um hospital e não pôde ser visitada por seu padrinho, o ator americano Yul Brynner (famoso por sua luzidia careca e pela atuação em filmes de sucesso como "Os Dez Mandamentos", "Sete Homens e um Destino" ou "Os Irmãos Karamazov"). Jane também estava doente, com um vírus que pegara na Iugoslávia. Para dar ainda mais ação ao cenário, os jornais alertavam sobre um louco que atacava bebês nos hospitais.

Desesperado, imaginando as maiores tragédias, Serge não obtinha permissão para ver sua filha, porque Charlotte fora internada sob o nome materno. Quando, na madrugada, finalmente conseguiu vencer a burocracia hospitalar e ver seu bebê, retornou à pé do hospital para casa, sob a chuva. "Devo ter caminhado por quase duas horas. Atravessei toda a Londres. Nunca fiz um passeio mais feliz na minha vida. Naquela noite, toquei a felicidade com o dedo", revelou, depois, emocionado.

O curioso nascimento prenunciava uma trajetória singular. Atriz precoce, cantora cult, ícone contra a sua vontade e tímida por natureza, Charlotte Gainsbourg cresceu alentada por incertezas e movida por desafios. Pelo mais recente deles, o polêmico filme "Antichrist", uma aterrorizante e tórrida trama dirigida pelo dinamarquês Lars von Trier, foi recompensada com a cobiçada Palma de Ouro do prêmio de melhor atriz do último Festival Internacional de Cinema de Cannes.”
Foto: Reprodução
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