O sexo de que se fala

Brasigois Felício, Revista Bula

“O sexo de que e fala não é o sexo que se pratica. Assim como a família de que se fala não é aquela que afligimos, e que nos faz sofrer. Nelson Rodrigues foi mais cortante do que navalha afiada, ao dizer: “Se as pessoas conhecessem a vida sexual uma das outras ninguém se cumprimentaria na rua”.

O sexo difere de outras necessidades básicas do corpo, como o alimento e o sono, pelo menos em dois sentidos. Em primeiro lugar, em termos ideais, requer a participação de outros seres humanos. Essa participação aumenta a possibilidade de prazer, assim aumenta a perspectiva de confusão emocional, que poucos conseguem evitar diretamente.

Em segundo lugar, embora não seja absolutamente essencial à sobrevivência, muitas são as pessoas que declaram não poder passar sem “aquilo”. Outros, que por motivos de opção religiosa conseguem se manter celibatários, ou refratários ao natural, passam a cultivar perversões terríveis, decorrentes da repressão a um instinto natural

O sexo não seria motivo de opressão, sedução, servidão ou mendicância, fosse um gesto ou ato solitário, como o é, na “contravenção” a que chamamos de masturbação. Desde a bíblia até os livros de sexologia mais antigos, esta prática, pela qual a pessoa dá satisfação ou prazer a si mesma é tida, havida e defenestrada como infame, hedionda, capaz de levar uma alma aos infernos dantescos.

No mais das vezes, porém, o sexo é cumprido e exercido a dois, exigindo, portanto, participação de outra pessoa, do sexo oposto, ou do mesmo, como vem se tornando moda — havendo casos em que a participação de mais de uma pessoa é requerida, levando a supor que um parceiro ou parceira não é suficiente para se alcançar o “alumbramento” a que os sexólogos chamam de orgasmo.”
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