Tempo de superar preconceitos

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

“Durante dois dias na semana que passou tive a oportunidade de participar de palestra na Academia de Polícia do Estado do Rio de Janeiro com cerca de 400 aluno(a)s futuro(a)s policiais.

Junto com este jornalista debateram sobre o caso Tim Lopes, organizado pelo professor delegado Orlando Zaccone, o comissário Daniel Gomes e o MC Leonardo, um funkeiro politizado, presidente da Associação de Profissionais e Amigos do Funk e que coloca no ritmo problemas vividos pelos moradores das favelas do Rio de Janeiro. É bom lembrar que de cada três habitantes da Cidade Maravilhosa, um mora em favela. E em sua absoluta a maioria é de trabalhadores.

Qual é a relação entre o policial, o jornalista e o funkeiro?

O policial provou tecnicamente que Tim Lopes não foi filmar o baile Funk, conforme alegava, e continua alegando até hoje, a TV Globo. Quando apresentou pela primeira vez o relatório, um mês depois da morte de Tim, em junho de 2002, foi um deus nos acuda. A TV Globo fez o possível e o impossível para mostrar que o policial estava errado. Mas não estava. Colocaram o policial na geladeira. Mais tarde, Daniel Gomes recebeu elogios do pessoal da Justiça pelo que apresentou.

O jornalista é autor do livro reportagem Dossiê Tim Lopes – Fantástico Ibope, que apresenta fatos não divulgados pela mídia conservadora. Ou seja, uma reportagem do gênero contraponto, que provocou irritação da Globo e até mesmo de muita gente que deixou se iludir pela manipulação da emissora.

Já o funkeiro Leonardo, de 34 anos e 17 dedicados ao gênero em questão, alertou o(a)s jovens futuro(a)s policiais sobre o preconceito e criminalização que o Funk sofre, o que piorou depois do assassinato de Tim Lopes. Quando um canal de televisão de grande audiência, para livrar a cara de um assassinato que poderia ser evitado, insiste em relacionar um baile Funk com orgias sexuais e de meninas adolescentes obrigadas pelo tráfico a se submeter a isso, o que se pode esperar da reação do público? E agora, de forma hipócrita, O Globo vendo para onde sopra o vento passa a falar em discriminalizar o funk. Lembra até os dias atuais em que os veículos de comunicação do grupo falam dos tempos da ditadura, como se não tivessem apoiado o regime, autoritário, como se fossem democratas desde criancinha.”
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