A verdade sempre aparece

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

“A história muitas vezes demora a ser contada, mas algum dia acaba aparecendo em toda a plenitude. Foi o que aconteceu agora depois da revelação dos arquivos implacáveis do Departamento de Estado de 38 anos atrás mostrando que o então general de plantão Garrastazu Médici oferecia serviços subservientes aos Estados Unidos com o objetivo de desestabilizar governos eventualmente reformistas.

Dois anos antes do golpe que derrubou o presidente constitucional chileno Salvador Allende, Médici se reuniu com Richard Nixon, tendo como intérprete o general Vernon Walters, o adido militar estadunidense no Brasil que teve papel de destaque na derrubada de João Goulart. Médici colocou-se à disposição dos EUA para desestabilizar Allende e de quebra ofereceu ajuda, que se concretizou, para fraudar a eleição presidencial uruguaia. Na ocasião venceu fraudulentamente o candidato do Partido Colorado, Juan Maria Bordaberry, o mesmo que algum tempo depois, em junho de 1973, daria o golpe que levou o seu país a uma longa noite escura ditatorial. Hoje ele está em prisão domiciliar por ter dado o golpe que infelicitou o Uruguai. E os uruguaios vão às urnas em outubro para eleger o novo presidente e opinar num plebiscito sobre uma lei que livrou a cara de torturadores.

Como se tudo isso não bastasse, Médici chamou a atenção sobre o então presidente peruano, general Juan Velasco Alvarado, por considerá-lo pró-castrista. O documento tornado público revela o baixo nível do militar brasileiro ao fazer fofocas sobre questões pessoais de Alvarado. Na verdade, tanto Médici como Nixon e o famigerado Henry Kissinger, também presente na reunião na Casa Branca, temiam o surgimento de militares nacionalistas latino-americanos que defendessem os seus países contra investidas dos Estados Unidos.”
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