Letras miúdas: má fé graúda

Rizzatto Nunes, Terra Magazine

“Por mais de uma vez nesta coluna, tive oportunidade de mostrar que na sociedade capitalista contemporânea uma forte característica é a má fé de muitos empresários na condução de seus negócios. É feito quase de tudo um pouco para enganar o consumidor e obter ganhos. Infelizmente, os estudos dos consumeristas e das associações de defesa consumidor demonstram que a mentira e a desonestidade é uma das bases do sistema. Hoje, cuido de um modo evidente de má fé, de intenção dolosa de enganar o consumidor: o do conhecido uso das letras miúdas e que, apesar de conhecido e proibido por lei, continua sendo utilizado abertamente.

A pergunta mais óbvia é: porque o fornecedor e seus parceiros publicitários se utilizam de letras miúdas na comunicação de seus produtos e serviços?

Na defesa dos fornecedores, alguém poderia dizer que, por exemplo, nos anúncios de tevê não há espaço (nem tempo) para a colocação de todas as informações. É verdade. Por isso, nesse tipo de veículo não se exige que tudo seja dito. Basta o essencial. Aliás, beira ao ridículo a promoção de tevê com letras miúdas ilegíveis em baixo da tela. Será que quem faz a peça acredita mesmo que com isso ele garanta que o fornecedor não seja responsabilizado pela descarada enganação?

O descaso com a inteligência do consumidor chega às raias do sarcasmo. Recebi uma mala direta oferecendo vantagens para aquisição de uma internet banda larga. O papel cartonado em formato quadrado tem 25 cm por 25 cm. Muita informação e muito espaço em branco. Mas, pasme: num diminuto canto do lado direito ao pé da folha aparecem dezenas de informações em letras miúdas quase ilegíveis! No espaço de 2 cm X 9 cm há mais informações relevantes que em todo o folheto.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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