Nada mais lerdo que a Justiça Brasileira

Eduardo Tessler, Terra Magazine

“Uma psicóloga gaúcha teve seu carro arrombado e a estepe furtada dentro do estacionamento pago de um shopping center de Porto Alegre. Apesar das diversas câmeras de segurança e dos agentes no local, alguém aproveitou-se do vacilo da vigilância para roubar a roda reserva.

O vigia de plantão reconheceu um intervalo de 10 minutos na troca de pessoal e o responsável pelo estacionamento registrou o ocorrido no ato, solicitando à psicóloga que entrasse em contato com a empresa 48 horas depois para a indenização.

Até aí trata-se apenas de uma estatística, não fosse a recusa da administradora do shopping - empresa dona de uma rede de supermercados no Sul e agora em São Paulo também - de pagar. A empresa alegou que não havia provas de que o furto tenha acontecido naquele estacionamento, que cobra R$ 3,50 por um período de até 6 horas. Negou a existência do registro por parte de seus funcionários, escondeu as imagens gravadas e comunicou que não pagaria.

Ponto.

Devido à indignação da psicóloga com tamanho destrato, o advogado da empresa recomendou: "entre na Justiça".

Foi o que a psicóloga fez.

Rapidamente solicitou indenização pelos reparos ao Tribunal de Justiça, utilizando-se do ágil Juizado Especial Cível, organizado para causas de baixo valor e famoso pela rapidez com que trata os temas, sem a burocracia que caracteriza a Justiça.

A causa começou no dia 16 de setembro do ano passado. A audiência de conciliação foi um mês depois, no dia 15 de outubro. Mas a empresa recusou-se a aceitar o débito e não quis acordo. Uma nova audiência, agora com testemunhas e documentos comprobatórios, foi marcada para dali a 20 dias, em 05 de novembro. A psicóloga levou fotos do dano, notas fiscais de despesas e ainda um testemunho que admitia que seu carro estava em perfeitas condições no dia do ocorrido, duas horas antes. Apesar das evidências, a empresa - maior rede local de comércio alimentício - negava-se a aceitar a culpa.

Uma observação: há muita jurisprudência sobre roubos e danos a carros, até sequestro relâmpago, dentro do mesmo estacionamento. Mas a empresa seguia sem admitir culpa. Também não divulgava as imagens de seu sistema de vigilância. "Questão de segurança", desdenhou o advogado.”
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Revista- WMB

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1 comentários:

Anônimo disse...

Pura indignação ssem fundamento. Da narrativa se vê que o processo correu rapidamente. Se demora por causa dos recursos, isso é um problema de legislação. E se juízes são tão beneficiados assim, por que o ilustre autor do artigo não estuda direito, presta o concurso e pára de reclamar?