O jornalismo do futuro

Igor Ribeiro, Portal IMPRENSA

“Não sei se alguém pode ser levado a sério quando faz exercícios gratuitos de futurologia. Eu mesmo costumo torcer o nariz para quem vem me dizer o que vai acontecer daqui dez anos, dez meses, dez semanas ou dez segundos. Até entendo quem tem de fazê-lo por necessidades práticas, urgências de uma agenda duvidosa, daquelas que fazem o futuro depender estreitamente do presente. Fora isso, prefiro andar pela imponderabilidade da vida e, diante da dúvida do próximo passo, firmar bem a pisada no agora.

Entretanto, algumas vezes me pego pensando no que gostaria que acontecesse, imaginando possibilidades tal qual se imagina os personagens de um bom romance. Certamente isso exclui tudo que eu não gostaria que acontecesse. Apesar de tratar do dia-a-dia com realismo e certo ceticismo, prefiro meditar no acaso positivamente, resguardando para esses momentos certo grau de otimismo e intimidade. Sim, pois são muito pessoais e, entre tantas transparências que me revelam por ética, desapego ou narcisismo, esses pedaços de sonho merecem um espaço quieto e acolhedor em cantos recônditos da alma.

São raros esses exercícios inventivos, mas recentemente me vi pensando em um que até poderia ser dividido. Uma idealização sobre o jornalismo do futuro. É um terreno movediço, cheio de possibilidades e, por isso, altamente falível. Mas diante da mudança tão acelerada de velhos paradigmas, é também um exercício bastante saboroso.

Não quero ir muito longe nessa viagem, mas é inevitável começar na escola básica, quando formará jovens mais conscientes do futuro profissional que almejam. Fornecendo boa compreensão da realidade e das necessidades sociais, ajudará a cortar pelo pé as multidões de adolescentes que procuram cursos de comunicação social "para aparecer na TV" ou porque "gosta de esportes". Entrarão nas faculdades aqueles que têm plena consciência de que jornalismo é, acima de tudo, uma busca irrefreável pela verdade.

As faculdades, por sua vez, formarão jornalistas mais humanos, com melhor base teórica, e não mais perderão tempo ensinando minúcias técnicas que se aprendem em poucas semanas de trabalho. Fornecerão conteúdos de estudo direcionados às aptidões e anseios de cada grupo. Darão todo o apoio acadêmico e curricular para formar repórteres, editores, assessores, apresentadores, críticos, produtores, escritores, pesquisadores e até empresários. Serão raríssimas exceções os universitários perdidos e angustiados pelas baforadas quentes do desperdício.”
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