O Parlamento, o jogo e o crime

Mauro Santayana, JB Online

“Quase todos os dias, o homem comum, dotado de senso comum, com os sentimentos usuais de quem trabalha para viver e cumprir seus deveres para com a família, a sociedade e o país, se sente atônito com algumas instituições do Estado. O Parlamento legisla de costas para a realidade nacional, e sensível aos lobistas – pelas razões que podemos suspeitar. Suas excelências, em sua maioria, são ágeis em defender os próprios privilégios e os privilégios dos que com elas se acumpliciam. A consciência moral da cidadania não havia ainda assimilado a lei de reforma eleitoral, que abriu caminho às doações secretas para as campanhas políticas, e outra decisão espantosa foi tomada. Com amplíssima margem, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados decidiu pela reabertura dos mal chamados bingos, a serem explorados pela iniciativa privada. O primeiro argumento dos defensores da medida é o de que o jogo faz parte da natureza humana. Estamos sempre jogando. Perfeito. Os que jogam – é esse o raciocínio – devem ser punidos quando perdem e felicitados quando ganham. A liberdade individual deve ser respeitada. Quem quiser jogar, que jogue.

Alguns sabem controlar seu impulso, não arriscando mais do que o valor de uma aposta na loteria. Mas há quem vá além. São os que perdem o salário, o patrimônio da família, o dinheiro dos remédios. Em alguns casos, a fim de atender ao impulso, há quem cometa estelionato e peculato. Não importa o sofrimento que impuser aos outros, nem os prejuízos que provocar.

Outro argumento dos defensores da liberação é o do desemprego. Os bingos empregarão milhares de pessoas hoje desocupadas. Se assim é, nada contra. Milhares de brasileiros trabalham nos postos da Caixa Econômica Federal, recolhendo apostas das loterias oficiais. A Caixa Econômica poderia, com sua grande experiência, operar os salões de bingo, mediante pessoal treinado, com a automação dos pagamentos e o registro eletrônico – tal como ocorre com os jogos que administra. Os lucros da operação seriam divididos, de acordo com a lei, para o benefício de instituições culturais e de assistência social.”
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