Sofrimento que se sente na pele

Casos de racismo não são eventos isolados e não se limitam a manifestações de discriminação

Vanessa Ramos e Jonathan Constantino , Revista Mundo e Missão / Brasil de fato

Em sete de agosto último, Januário Alves de Santana, vigilante da Universidade de São Paulo (USP) há 17 anos, registrou um boletim de ocorrência na delegacia denunciando crime de racismo: ele foi espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Osasco-SP, quando tentava entrar em seu carro (um Ford EcoSport) e foi “confundido” com um assaltante.

Infelizmente, casos como este se repetem no país. Porém, há quem argumente que, no Brasil, não há racismo e se dedique a reflexões ideológicas sobre o tema, como o autor do livro Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor (Editora Nova Fronteira), o jornalista e sociólogo Ali Kamel, das Organizações Globo.

Mas, afinal, será que mais de 300 anos de escravização dos negros africanos, expulsão das terras onde trabalhavam, exclusão de sua força de trabalho e massacres históricos atrelados a concepções racistas, não deixaram profundas marcas no povo negro brasileiro?

A cor da herança

Em julho deste ano, um estudo realizado em parceria pelo Observatório de Favelas, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostrou que as chances de um jovem negro ser assassinado é 2,6 vezes maior em relação a um jovem branco na mesma situação.

“Há uma morte negra que não tem causa em doenças; decorre de infortúnio”, afirma o artigo A cor da morte, publicado por Luís Eduardo Batista e colaboradores, na Revista de Saúde Pública, em 2004. Esta matéria apresenta as causas de óbito conforme características de raça, no Estado de São Paulo, entre os anos de 1999 e 2001.

Tal pesquisa aponta que negros e brancos morrem vitimizados por causas diferentes. Segundo o estudo, a maior parte dos brancos vai a óbito por tumores ou doenças do aparelho circulatório, respiratório, sistema nervoso, congênitas, entre outras. Ao contrário, a maior parte dos negros morre por motivo não associado a doenças, como causas externas (violência, por exemplo).”
Artigo Completo, ::Aqui::
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