Fé ou razão?

Marcos Vinícius Almeida, Revista Bula

“Questão complicada, leitor. Tão complicada que foi o tema dos grandes debates teológicos da Idade Média e fez muita gente virar churrasquinho. Não é de hoje que se mata em nome de Deus. O Cristianismo, depois que se tornou a religião oficial do estado romano, vestiu a roupagem do racionalismo de Platão e Aristóteles na edificação da doutrina e, com isso, precisou conciliar a fé cega dos cristãos com a lucidez da filosofia.

A definição de fé, para além da crença vulgar, pode ser encontrada nas palavras de Paulo em carta aos Hebreus: “Fé é a garantia das coisas esperadas e a prova das que não se veem.” Mas que garantia é essa? Que coisas são essas que não vemos? Como dar crédito a crença cega? Afinal, o que é a fé?

São Tomas de Aquino, vai dizer o seguinte: “Quando se fala de prova, distingue-se fé da opinião, da suspeita e da dúvida, coisas em que falta a firme adesão do intelecto ao seu objeto. Quando se fala de coisas que não se veem, distingui-se a fé da ciência e do intelecto, nos quais alguma coisa se faz aparente. E quando se diz garantia das coisas esperadas faz-se distinção entre a virtude da fé e a fé no significado comum(vulgar), que visa à bem-aventurança.” Pode-se notar que Aquino lança a fé sorrateiramente um degrau acima da ciência, apesar de não haver contradição entre ambas, ou seja, as verdades reveladas não contradizem as verdades racionais, elas se complementam. Até aí, fora os crematórios, Concílios, um tira e põe de evangelho, tudo certo.

Num belo dia, um alemão provinciano de rotina bem medíocre entestou com uma ideia besta: “Vou colocar a razão num tribunal!” Pois é, leitor. Falta de mulher deixa o caboclo sem noção...

Mas o tal de Kant, matutou, matutou e chegou a um veredito: Senhores, a ré, razão lógico-discursa-ocidental, não pode penetrar na raiz da realidade; há um limite para o conhecimento; o homem está condenado a conhecer o finito.”
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