Sujeito: construção da modernidade?

João Ibaixe Jr, Última Instância

“Uma colega escreveu dizendo que leu um livro de um filósofo francês, chamado Badiou, em que ele fala que o sujeito é uma construção da modernidade para a aquisição de conhecimento, ou seja, um recurso epistemológico. Chocada, ela perguntou como isto seria possível.
Costumamos usar indivíduo, pessoa, sujeito, cidadão, dentre outras expressões, com o mesmo sentido de ser humano. Contudo, isto não foi sempre assim.

A idéia de "sujeito" como uma unidade que reúne em si todas as condições individualizadas de ser e conhecer é uma construção recente da modernidade, cujo pai é Descartes. Sua função é informar que existe uma unidade dotada de um tipo de racionalidade, cuja utilização permite adquirir conhecimento de objetos (daquilo que está diante do sujeito).

Assim, o sujeito é epistemológico porque, por força de sua racionalidade, reúne em si toda a possibilidade de conhecimento.
Quando se verifica que o funcionamento da razão não é bem aquele do modelo proposto por Descartes-Kant-Hegel, a figura do sujeito passa a sofrer alterações principalmente em sua função.

Esta não é mais a de conhecer, mas sim de ser e, enquanto sendo, conhecer o ser das coisas. Desloca-se o eixo do epistemológico para o ontológico. Isto porque uma coisa não é mais, simplesmente. Ela é para aquele sujeito que tem o pensamento dirigido para ela. Há uma intencionalidade da consciência do pensamento que "personaliza" o conhecimento dando a ele a configuração de um sendo.

Sob um aspecto, é a pesquisa proposta por um pensador alemão chamado Martin Heidegger (1889-1976), que ousou combinar "interpretação" e "sentido".
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