Cesare Battisti: que o STF faça justiça com base na verdade

Eduardo Suplicy, Opera Mundi

“As atenções dos organismos de direitos humanos do mundo voltam-se hoje (12) para o Supremo Tribunal Federal brasileiro. A partir das 14 horas, o STF retomará o julgamento a respeito da concessão de refúgio ou extradição de Cesare Battisti, iniciado no dia 9 de setembro e paralisado pelo pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello. No dia 13 de janeiro deste ano, o ministro da Justiça,Tarso Genro, concedeu refúgio político a Battisti. Atualmente, ele está detido na penitenciária da Papuda, em Brasília.

A história do italiano Cesare Battisti, autor de famosas novelas policiais, perseguido político e ex-membro do grupo de esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), acusado e condenado pelo governo da Itália por quatro homicídios cometidos nos chamados “anos de chumbo”, tem provocado as mais diversas reações, no país e no mundo. Tenho recebido inúmeras cartas questionando meu posicionamento de apoio à decisão do governo brasileiro de conceder-lhe a condição de refugiado político.

Mergulhei no universo de Battisti em 2007, quando a arqueóloga, historiadora e escritora francesa Fred Vargas me procurou – assim como ao professor Dalmo Dallari, dentre outras pessoas com histórico de defesa dos direitos humanos – para relatar o que se passava com ele. Explicou sua convicção de que ele não havia cometido os homicídios que lhe eram imputados pela Justiça Italiana.

Vale destacar que Fred Vargas, autora de vários livros na lista dos mais vendidos, estudou à exaustão os processos relativos à condenação de Battisti. Com base nos autos, chegou à conclusão de que ele cometeu ações armadas pelas quais foi condenado a 12 anos de prisão, mas nunca assassinou qualquer pessoa. Desde então, tem se dedicado a acompanhar a trajetória de Battisti e a divulgar os fatos que descobriu nos processos que estudou, tais como as falsas procurações usadas no processo que condenou Battisti à prisão perpétua.

Visitei-o pela primeira vez na sede da Polícia Federal, logo que chegou a Brasília. À época, contou-me que ainda muito moço participou de ações do PAC. Mas, quando soube do sequestro e assassinato do primeiro-ministro Aldo Moro, ficou extremamente impressionado, e tomou a decisão de nunca cometer qualquer crime de sangue, de nunca matar qualquer ser humano. No último ano, Fred Vargas veio ao Brasil várias vezes. Em algumas ocasiões, acompanhei-a em visitas a Cesare.”
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