
Marta Reis, CartaCapital
"A menos de vinte minutos das pirâmides de Gizé, principal ponto turístico do Egito, está um lugar que não figura entre os cartões-postais. A Cidade do Lixo é como um canto escondido da capital, Cairo, um tanto por suas imagens chocantes e seus odores repugnantes, mas também por ser a casa da minoria cristã do país. Cerca de 30 mil habitantes vivem praticamente isolados, a coletar e transformar lixo em mercadoria. São os zabbalin, o povo que faz do lixo a sua própria identidade.
“Sou muito feliz e não penso em sair daqui. Esta é a minha vida: encontrar frutas e alimentos em bom estado nestes restos orgânicos”, explica uma das moradoras do bairro, enquanto enfia os braços num saco preto, já tomado por moscas.
O cheiro é de revirar o estômago, mas a mulher manuseia o saco com naturalidade. Os zabbalin parecem nem se importar com as montanhas de dejetos que invadem suas casas. Tudo que é descartado pela população do Cairo vai para a Cidade do Lixo e por vezes até vira brinquedo para as crianças ou objeto de decoração no lar dos zabbalin.
A cidade está localizada na base da montanha Mokattam, que significa “montanha partida”. Segundo uma lenda local, foi palco de um milagre no século X. Naquela época, os cristãos foram desafiados a provar o poder de sua religião. Caso contrário, seriam expulsos do país ou mortos. O desafio: mover a montanha ao fim de três dias apenas com a força da fé.
Centenas de bispos e arcebispos se aglomeraram ao pé da montanha para rezar, mas, diz a lenda, foi um sapateiro chamado Simão quem operou o milagre. A Mokattam se abriu e foi possível ver o sol do outro lado. Depois disso, muitos muçulmanos teriam se convertido ao cristianismo.
Para celebrar o milagre, os cristãos construíram no interior da montanha a Igreja de São Simão, com o formato semelhante ao de uma caverna. As paredes de pedra ganharam ilustrações que detalham o feito do sapateiro. A igreja é bonita e limpa, bem diferente do bairro que dorme aos seus pés.”
Foto: IGFM
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