Seu Aristides: o vilão do filme

Vitor Hugo Soares, Terra Magazine

“De Salvador acompanho o bafafá político e cinematográfico em Brasília em torno do filme "Lula, o filho do Brasil" e logo estou de novo voando nas asas da memória para Paulo Afonso, na beira do São Francisco, o rio da minha aldeia. Estertores dramáticos do governo de Getúlio Vargas, tempo da construção da primeira grande hidrelétrica da CHESF no Nordeste, que o presidente Café Filho inaugurou no começo dos anos 50, em dia para nunca esquecer.

Então, o gaúcho Vargas já havia disparado o tiro na cabeça no Palácio do Catete, mas, mesmo sepultado, seguia sendo "o cara" (na época se chamava "o maioral") de um Brasil comovido e indignado. Paulo Afonso era ainda distrito de Glória, cidade onde eu morava. Ali estava um dos maiores formigueiros de operários e engenheiros do País, vindos de todas as partes - até da Rússia - para trabalhar na mega-construção, "orgulho do operariado e da engenharia do Brasil", como proclamava a propaganda oficial.

Na Paulo Afonso daquele período, dois belos e modernos cinemas (com cinemascope e tudo) - o Cine Poty, da vila dos operários, e o CPA, sala frequentada pelos engenheiros e gente grande do lugar, do outro lado do arame que na época dividia a cidade. Eram meus locais preferidos. Dois fantásticos laboratórios de sonhos e de observações de reações humanas, políticas e sociais.

Cabeça já para a esquerda, graças à congênita tendência familiar, e a ajuda das doutrinações de Luiz Gonzaga. Não o notável sanfoneiro de Exu, que também passava muito por lá e virara uma espécie de semideus depois de gravar a antológica música sobre o lugar: "Olhando prá Paulo Afonso, eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso 'cassaco', caboclo bom brasileiro/ Eu vejo o Nordeste erguendo a bandeira/ tem ordem e progressso a nação brasileira/E esta usina feliz mensageira/ vivendo da força da cachoeira". No final, o refrão ufanista empolgava: "Meu Brasil vai, Meu Brasil vai!"
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