O corpo humano, o mercado de consumo e a ética

Rizzatto Nunes, Terra Magazine

“Num de seus filmes, Woody Allen conta a seguinte piada: diz ele que jamais seria sócio de um clube que o aceitasse como sócio. Recentemente, virou notícia um site de relacionamentos do qual só podem participar pessoas consideradas "bonitas". E essa "rede social" como se intitula, ficou famosa porque rejeitou milhões de internautas de vários países que nela gostariam de ter entrado. Parafraseando Woody Allen, é de se perguntar porque alguém quer fazer parte de um clube assim.

Um dado que chama atenção é esse da imposição social que a cada dia mais afeta as pessoas para que elas "pareçam" bonitas. Não como de fato são: a pressão é para que elas se pareçam com aquilo que o "mercado" diz que é belo. Exatamente, como impõe esse site.

Há um quê de artificial nesse modo de se medir as pessoas. Aliás, não só artificial como falso. Na Inglaterra e também na França já há legisladores que pretendem obrigar que os publicitários sejam mais "realistas" na utilização de fotos de modelos. É que a utilização de modernas técnicas de manipulação de fotos, tais como o photoshop, permite a criação de imagens que nem sempre correspondem ao real.
Muitas vezes, as próprias modelos têm se surpreendido com sua (falsa) beleza. Os anúncios estão muito distantes do real e, uma vez publicadas as fotos de "mulheres com corpos perfeitos", elas acabam influenciando os consumidores suscetíveis. Esses legisladores querem que as fotos sejam acompanhadas da informação de que se trata de efeito digital. Penso que ainda assim, não mudaria a imposição.

Pois a verdade é que, de um jeito ou de outro, nesta sociedade em que o ter é mais importante que o ser, onde a aparência é mais importante que a essência, o que se percebe é que algumas pessoas são prisioneiras de seus símbolos: roupas de marca, jóias, relógios preciosos, carros último tipo, o corpo idem. O que o mercado acaba vendendo é uma ilusão de segurança e felicidade nos símbolos oferecidos nas vitrines e em anúncios publicitários, e o que o esse tipo de consumidor adquire é uma falsa idéia de si mesmo, muitas vezes gerando frustração e um vazio que o obriga à voltar às compras, às transformações etc num círculo vicioso sem fim.”
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