O poder da hora

Embora os líderes mundiais há muito procurem obter vantagens econômicas e políticas por meio da manipulação da hora, os cientistas alertam cada vez mais para o custo de alterar os relógios

Clive Cookson, Financial Times / UOL

Manipular o tempo é uma iniciativa política ousada. Em 1973, a França revolucionária impôs um sistema decimal, no qual o dia era dividido em dez horas de cem minutos cada. Isso durou apenas 12 anos, até Napoleão Bonaparte reinstituir o sistema tradicional de 24 horas de 60 minutos, que teve origem no Egito e na Babilônia da antiguidade.

Em 1949, Mao Tsetung substituiu as cinco zonas horária da China por apenas uma como símbolo do forte controle central sob o comunismo. O sistema persistiu, mas ele provocaria problemas para os habitantes do oeste do país, que passariam a maioria das manhãs do inverno na escuridão, caso seguissem o horário oficial.

A última grande ideia para modificação de horário veio de Dmitry Medvedev, o presidente da Rússia, que no mês passado propôs substituir os 11 fusos horários do país por apenas quatro, em nome da eficiência econômica.

A medida de Medvedev mostra como, hoje mais do que nunca, tempo é dinheiro. A diferença entre a capital do país e o extremo leste da Rússia é vista como um empecilho à eficiência daquela economia emergente. Os escritórios em Vladivostok só estão abertos, na melhor das hipóteses, durante as duas primeiras horas de trabalho na capital.

Já para o antigo Kremlin, as 11 zonas horárias eram um motivo de orgulho, já que elas demonstravam a vastidão imensa do poderio soviético. Os moscovitas mais velhos, por exemplo, recordam-se com saudade da programação de rádio feita após a escola, às 15h, que anunciava a hora em todas as regiões da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e que terminava com: "Petropavlovsk, Kamchatka, meia-noite".

As vantagens econômicas de uma localização temporal conveniente há muito são reconhecidas. Durante mais de um século Londres tirou proveito da sua posição de ponte temporal; o dia de trabalho da cidade sobrepunha-se ao de outros centros financeiros na América e na Ásia.

Mas a mudança na Rússia, conforme foi proposta por Medvedev, não será fácil. "Este é um país enorme, e isso provocaria inevitavelmente uma grande alteração dos ritmos das pessoas em relação aos ritmos da natureza", diz Andrei Panin, da Faculdade de Geografia da Universidade de Moscou. "Por exemplo, as pessoas teriam que trabalhar, despertar, quando ainda fosse noite. Isso gera custos em termos de iluminação, eletricidade. Precisamos ter um grande número de zonas horárias na Rússia".
Tradução: UOL
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