Haiti até quando?

Mair Pena Neto, Direto da Redação

“A tragédia no Haiti cobra do mundo que conte a verdadeira história desse país. Os noticiários o tratam de nação mais pobre das Américas e do Caribe sem aprofundar as razões que o levaram a tão deplorável situação. Retrospectivas superficiais falam em ocupações, sem explicar os seus fins, e em sucessões de ditaduras, sem especificar quem as apoiava, como se o Haiti tivesse construído sozinho o seu próprio destino e de forma incompetente.

Por trás desta superficialidade talvez ainda esteja o racismo dizendo que um país de negros não tem como dar certo. Falta contar que no Haiti aconteceu a única insurreição vitoriosa de escravos das Américas e que ele foi o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Inspirado pelos ideais iluministas que derrubaram a monarquia na França, o Haiti ousou ser um país independente e Toussaint L’Ouverture, um dos personagens mais notáveis da história, o imaginou aliado da França revolucionária no campo das idéias.

Traído pelo ranço colonial francês que não tolerava um regime de igualdade no que fora sua mais próspera colônia nas Américas, Toussaint foi preso e morto antes de ver a independência completa de seu país. Ela viria pouco depois, em 1803, mas a um preço muito alto. Os regimes escravistas da Europa e dos Estados Unidos promoveram um bloqueio comercial de 60 anos, sufocando economicamente o país que tivera sua produção açucareira destruída na guerra de libertação. Para suspender esse bloqueio, o Haiti foi obrigado a assinar um acordo pelo qual pagaria à França uma indenização de 150 milhões de francos pela sua liberdade. O país pagou esta “dívida” de 1825 a 1888.”
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