Carnaval, dever e prazer

Primeiro, estejamos de acordo que carnaval é antes de tudo prazer. Dever apenas para os que, por ofício ou necessidade, atravessam os dias de Momo envoltos em obrigações profissionais.

Luciano Siqueira, Vermelho.org

Óbvio? Nem tanto. Eu mesmo já brinquei – como dizemos aqui – o carnaval muitos anos. Desde criança, quando meu pai ornamentava um caminhão e enchia de amigos e vizinhos para o corso, em Natal, em meados dos anos 50. Eu e Airton, o irmão caçula, ainda meninos, ganhávamos um saco de confete, um tubo de lança-perfume Rodouro – para inocentemente alvejar as meninas – e rolos de serpentina. E assim foi quase que a vida inteira, até os tempos mais ou menos recentes. Então, era puro deleite, o prazer da diversão, com direito a fantasia, sonho, desejo, paquera e suas conseqüências.

Ocorre que a militância política, que em 1982 me proporcionou uma eleição para deputado estadual, introduziu (para meu desgosto) uma tentativa, da parte de companheiros de Partido, de me transformar em folião por dever. Ou seja: ao invés de por um tênis, uma bermuda e uma camiseta e saí por aí atrás de blocos pelas ladeiras de Olinda e ruas do Recife, e o que mais desse na telha, a obrigação de cumprir um roteiro tido como “politicamente necessário”. – Você tem que ir à prévia do “Lili nem sempre toca flauta”, pra começo de conversa. – Veja lá, não deixe de ir à inauguração da barraca do “Sai na Marra”, nem ao desfile do domingo, e assim por diante.

Ora, quem luta por toda a vida e põe sempre os interesses do povo em primeiro lugar, tem todo o direito de se orientar pela máxima “o dever é público, o lazer é privado”. Mais: se possível, em se tratando de festa, nunca misturar dever com lazer. Até porque ninguém jamais ganhou ou perdeu votos por ter comparecido, ou não, a esta ou àquela agremiação carnavalesca.”
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