Confissões de um comedor de Xis(*)

* (Maneira em que o cheeseburguer é chamado no Rio Grande do Sul)

José Pedro Goulart, Terra Magazine

Apresento a vocês, leitores, o relato de uma época notável de minha vida: do modo como me apliquei a ela, confio em que será não apenas interessante, mas, em um grau considerável, útil e instrutivo. Aos fatos, portanto.

Confesso, fui um comedor de xis. E mesmo que hoje toda a gordura consumida, toda maionese duvidosa e todo ketichupe vencido possam estar causando efeitos devastadores na minha saúde, não me arrependo.

Sou um cara dos anos 80. Isto é, vivi intensamente os anos 80. Porto Alegre parecia a cidade ideal para se viver, naquela época. E, olhando daqui, ainda parece ter sido. Dizem que Londres também foi. Mas me dê outro exemplo.

Tornei-me viciado em xis. As ofertas se multiplicavam. A cidade então era pontilhada por improváveis trailers, que ofereciam uma Fanta laranja e um X-salada por preços módicos a qualquer hora. Ali, na rua, junto ao pó, onde gato nenhum ousava miar, fiquei muitas vezes sentado no meio-fio, saciando a fome da madrugada, imaginando uma vida a ser vivida. A grana curta não dava para muito mais mesmo. Mas, mesmo que desse, eu não queria. Ou alguém acha que era possível resistir a um X-coração do Plutão?”
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