Resenha: No lago do mito

Roberto de Sousa Causo, Terra Magazine

"Love: A História de Lisey (Lisey's Story), Stephen King. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2008 2006, 543 páginas. Traduzido por Fabiano Morais.

Em 16 de setembro de 2003, um editorial do New York Times afirmou que, "quando anunciarem as grandes figuras da moderna literatura americana - Bellow, Miller, Morrison, Updike, Roth - eles poderão agora somar um nome: Stephen King".

Não é um editorial que vai colocar King no cânone norte-americano, mas tal opinião reflete uma mudança consistente, ao longo da última década, no status desse autor que chegou a se referir a si mesmo como "o equivalente literário de um Big Mac com fritas".

No Brasil, embora ele continue sendo um dos nomes mais vendidos da Editora Objetiva - basta conferir o número de obras dele republicadas na coleção de bolso da Objetiva -, não parece haver esforço dos seus editores, nem dos críticos, em reconsiderá-lo como escritor. Mesmo para os seus fãs brasileiros, poucos se arriscam a vê-lo como um dos melhores escritores americanos vivos. Para eles, Stephen King é mais um escritor de horror, gênero em constante mutação - atualmente assumindo a forma da assim chamada "fantasia urbana", dominada por Stephenie Meier, Charlaine Harris e L. J. Smith. Um dos problemas do público da ficção de gênero é que ele às vezes deixa de enxergar distinções. Tudo parece fácil, um jogo de temas e ambientações intercambiáveis (você precisa apenas ser "original" ou "novo"), e o talento necessário para realizá-lo na sua forma mais expressiva passa despercebido.

Mas King é "o Pelé do Horror", e sou fã dele o bastante para chamar este Love: A História de Lisey de o melhor romance de ficção especulativa lançado no Brasil em 2008. Está dentro da tendência metaficcional desse autor, tratando da escrita e do ambiente editorial, e que já rendeu obras como Angústia (Misery), A Metade Negra (The Dark Half), Rose Madder, e Saco de Ossos (Bag of Bones). No plano da estrutura e da sua textura narrativa, talvez ele lembre mais Angústia e Jogo Perigoso (Gerald's Game), dois romances sem muito enredo, centrado em um número limitado de situações e configurado por meio de flashbacks e mergulhos na consciência da protagonista - neste caso, Lisey Landon, a viúva de um famoso autor de realismo mágico.”
Resenha Completa, ::Aqui::

Enviar Google Plus

About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

Contato- nogueirajr@folha.com.br
Revista- WMB

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários: