O medo e os princípios

Mauro Santayana, JB Online

“Não podemos continuar sacrificando os princípios ao medo”, escreveu o ex-senador democrata Gary Hart, ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos, ao comentar o artigo The price of assassination, de Robert Wright, publicado na edição eletrônica do New York Times.

Wright analisa a ordem de Obama para o assassinato do cidadão nato norte-americano Anwar al-Awlaki, nascido no Novo México, que estaria no Iemen. Gary Hart tem autoridade moral para intervir no tema: foi membro da importante Comissão Church, do Senado dos Estados Unidos, que investigou o envolvimento de Washington nos assassinatos e tentativa de assassinatos de líderes políticos estrangeiros, em 1975. Entre outros alvos dos serviços secretos norte-americanos, a Comissão Church apontou Patrice Lumumba, Fidel Castro (cinco tentativas), Rafael Trujillo, da República Dominicana, os irmãos Diem, do Vietnã, e o general René Schneider, do Chile. A mesma comissão investigou também a participação dos mesmos serviços na conspiração e no golpe contra Allende, o presidente do Chile, morto ao resistir no Palácio de Governo em setembro de 1973.

Segundo Wright, ao contrário do que imaginam os partidários desses assassinatos no exterior, a “decapitação” dos grupos de “terroristas” inimigos não os esmorece: estimulam-nos. Cita estudo da professora Jenna Jordan, da Universidade de Chicago, que examinou 298 atentados entre 1945 e 2004. Sua conclusão é a de que, a cada atentado exitoso, o assassinado é substituído por um líder mais competente, e o número dos militantes cresce para atuar com maior força. A política dos killing targets é, assim, além de moralmente condenada e juridicamente contestada, prejudicial à segurança dos Estados Unidos.”
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