1958: reis de copas

Ademir Luiz, Revista Bula

“O jornalista Milton Leite, autor do livro “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” (Contexto. 223 páginas), escreveu que “a seleção que conquistou em definitivo a Taça Jules Rimet entrou para história como o melhor time já montado na história dos mundiais”. Uma opinião absolutamente crível, canônica até. É possível que os mais exaltados, resgatando a memória do comentarista esportivo Nelson Rodrigues, chamem de “óbvio ululante”. É possível, reconheço. Porém, respeitosamente, discordo.

Em minha opinião, e não acho que seja difícil provar, a maior seleção de todos os tempos é a escrete canarinho da Copa de 1958. Os campeões de 1970 ficariam com o mais do que honroso segundo lugar, levando-se em conta que o time de 1962, vencedor no Chile, é praticamente o mesmo de quatro anos antes. Era, portanto, uma equipe já montada.

Não tenho certeza quanto ao 3º lugar. Teoricamente, a seleção de 1982 possui todos os predicados para ocupar a posição, mas a dura verdade é que o festejado time de Telê Santana fracassou miseravelmente. O pior: fracassou duas vezes. Diferentemente de outras grandes seleções que não venceram a Copa, como a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974, ambas derrotadas na final pela sempre combativa Alemanha, o Brasil, tanto na Espanha quanto no México, em 1986, caiu nas quartas-de-final, perdendo para seleções consideradas inferiores, respectivamente Itália (que foi campeã) e França. Nas duas ocasiões, sequer disputou a anticlimática partida pelo 3º lugar. O Brasil auto-intitulado “campeão moral” da Copa da Argentina de 1978 teve esse direito e cumpriu seu dever. A tão criticada seleção de 1974 ficou em quarto. Tanto em 1982 quanto em 1986 o Brasil amargou a 5º posição. Fracassos piores, só o 11º lugar da seleção que jogou a Copa da Inglaterra de 1966, misto de novatos inexperientes e envelhecidos veteranos do time dos sonhos de 1958, e o 9º lugar alcançado em 1990 pela turma da Era Dunga. Apesar da forma vexatória, e suspeita, como ocorreu, o vice-campeonato na França, em 1998, perdendo para a anfitriã, não foi uma posição desonrosa. A armada Brancaleone de 2006 não foi para Alemanha pensando em jogar. Sequer treinaram. Sua queda foi uma crônica de uma morte anunciada.

Minha geração, que cresceu hipnotizada pelas infinitas repetições dos grandes lances de Zico, Sócrates, Falcão e companhia, parece se esquecer do contexto geral. Talvez o mais justo fosse dar o 3º lugar para o pragmático time de 1994 ou ainda para os campeões de 2002. Mas, apesar de tudo, não é o caso. A Copa dos Estados Unidos foi um mundial medíocre. O Brasil era o menos fraco dos competidores. Era disciplinado taticamente, tinha o elenco unido e contava com um gênio em sua melhor forma: Romário. Copa é momento e o Brasil de Parreira soube aproveitar o seu. A vitória na Copa da Ásia — Japão e Coreia — foi fruto do imponderável. Quem poderia imaginar que o maior destaque da competição seria um atleta que se recuperava de uma contusão gravíssima, Ronaldo? Acho que em 2002, pela primeira vez na história dos mundiais de futebol, os jogadores não foram os principais responsáveis pela vitória. Dessa vez o mérito maior cabe ao técnico: o xerife Felipão. Assim, sem negar o fator emocional, apesar de ser um time que não soube ganhar e, pior, não soube perder, 1982 fica em terceiro. De resto, 1994 ficaria em quarto e 2002 em quinto.”
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