No ambiente da discórdia

Editorial, Jornal do Brasil

“Nos últimos anos, um dos conflitos que ganharam mais destaque na sociedade brasileira é o que opõe dois fortes grupos de interesse: os ruralistas, liderados por grandes proprietários de terra, cuja representação política no Parlamento remonta à origem do Brasil como nação, e os ambientalistas, cada vez mais atuantes na arena pública, seja por meio de um partido político próprio, o PV, seja pela pressão de organizações não governamentais (ONGs) – nacionais ou internacionais.

O embate no campo não é novo. O que mudou foi um deslocamento, ou melhor, uma superposição de conflitos que revela o surgimento de novas prioridades. O latifúndio, antes atacado exclusivamente sob um viés economicista, no contexto da luta de classes, tendo a reforma agrária como bandeira, passou a ser duplamente questionado, por meio dos movimentos ambientalistas.

Um novo flanco se abriu. Grandes propriedades de terras não seriam só um retrato da desigualdade no campo, mas também a ponta de lança de uma prática ambiental danosa, que derruba impiedosamente grandes extensões de matas e de florestas. Quanto à primeira acusação, os ruralistas sempre se apoiaram no direito à propriedade. Quanto à segunda, o argumento é algo semelhante a um direito de produção, cuja defesa é bradada pelas exportações recordes e a geração de divisas ao país.”
Editorial Completo, ::Aqui::
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